Anac notifica Portela por uso de drone tripulado na Sapucaí
Anac notifica Portela e Liesa após escola utilizar drone tripulado durante desfile na Marquês de Sapucaí; agremiação terá dez dias para prestar esclarecimentos sobre o equipamento
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 17/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
A Anac notifica Portela após a escola de samba utilizar um drone tripulado durante a comissão de frente no desfile realizado no Sambódromo do Rio. A notificação foi formalizada nesta segunda-feira (16) e também encaminhada à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro).
O equipamento sobrevoou um tripé alegórico e bailarinos por cerca de 40 segundos, conduzindo um integrante do grupo cênico. Ao todo, foram quatro apresentações do chamado “superdrone” ao longo da passagem da escola pela Sambódromo do Rio. A Portela terá prazo de dez dias para responder à notificação.
Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o transporte de pessoas, animais ou artigos perigosos em drones é expressamente proibido no Brasil.
Anac notifica Portela e cita proibição expressa na norma RBAC-E nº 94
Ao informar que a Anac notifica Portela, a agência destacou que a operação de drones no país é regulamentada pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil 94 (RBAC-E nº 94). A norma técnica veda, de forma explícita, que aeronaves remotamente pilotadas sejam utilizadas para transporte de pessoas.
Além disso, o regulamento estabelece que o piloto não pode, em hipótese alguma, colocar vidas em risco e deve manter distância mínima horizontal de 30 metros de estruturas que possam ser atingidas pelo equipamento.
No ofício, a Anac solicitou detalhes técnicos do aparelho, incluindo modelo, número de série, comprovação de registro junto ao órgão e identificação do responsável pela pilotagem remota. A agência também ressaltou o risco de acidentes, inclusive fatais, em operações desse tipo.
“Superdrone” foi acionado quatro vezes durante o desfile
O episódio ganhou repercussão após a confirmação da notificação da Anac à Portela pelo uso de um drone de grande porte, equipado com oito hélices e baterias especiais, cuja autonomia de voo é de até cinco minutos.
Durante a apresentação, o bailarino e o drone partiam de um tripé alegórico e retornavam ao mesmo ponto após cada sobrevoo, para substituição ou recarga das baterias. A coreografia da comissão de frente é repetida ao longo do desfile, inclusive diante das diferentes torres de jurados espalhadas pela avenida.
O equipamento foi utilizado quatro vezes e integrou o conceito teatral desenvolvido pela escola para o enredo deste ano.
Representação do Negrinho do Pastoreio marcou a apresentação

O tripulante que realizou o voo representava o Negrinho do Pastoreio, personagem de uma lenda tradicional da cultura gaúcha. No espetáculo, o “voo encantado” simbolizava a libertação da figura folclórica.
O enredo da Portela abordou a presença da negritude no Rio Grande do Sul e símbolos históricos de resistência, como o líder religioso do candomblé Príncipe Custódio, pai-de-santo reconhecido em Porto Alegre. Também foram incorporados personagens como o orixá Bará.
Na narrativa encenada, o Negrinho do Pastoreio é um menino negro escravizado que cuidava de cavalos e foi punido injustamente após o desaparecimento de um dos animais. Deixado em um formigueiro, sobrevive e é posteriormente visto curado ao lado da Virgem Maria, enquanto o cavalo retorna. Na tradição popular, torna-se uma figura encantada invocada para ajudar a encontrar objetos perdidos.
A proposta da escola foi reinterpretar a lenda, libertando o personagem do “trabalho eterno” e evidenciando as violências sofridas durante a escravidão no Sul do país. Agora, após a confirmação de que a Anac notifica Portela, a agremiação deverá apresentar esclarecimentos formais sobre a operação do drone tripulado na avenida.