Amigas se reencontram em Casa Terapêutica de São Bernardo
Paciente vem para a cidade após viver em torno de 30 anos internada em hospitais psiquiátricos de Sorocaba
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 30/01/2016
- Autor: Redação
- Fonte: Cia. Vagalum Tum Tum
A Residência Terapêutica Feminina Casa das Violetas, em São Bernardo, esteve em festa na manhã de terça-feira (26) para receber uma nova moradora. Rosa Lopes de Oliveira Silva, 78 anos, esteve internada nos últimos dois anos no Hospital Psiquiátrico Vera Cruz, em Sorocaba, mas a partir de agora vai morar com outras nove mulheres. É a chance de uma nova vida para uma mulher que passou praticamente 30 anos – desde 1986 — internada em hospitais psiquiátricos
A chegada de Rosa era aguardada com ansiedade pela moradora Maria do Perpétuo Socorro Sobral de Matos Carvalho, 60, que viveu com Rosa no Pavilhão 7 do hospital psiquiátrico do Interior nos últimos anos. Ali se tornaram amigas quase inseparáveis.
A nova moradora foi recebida com churrasco, refrigerante e música. Ganhou um abraço carinhoso de Maria do Perpétuo, que se levantou com dificuldade e foi amparada por terapeutas ocupacionais. “É a minha amiga. Gosto muito dela”, disse.
Rosa tem histórico de 29 anos de internações em hospitais psiquiátricos e aguardava pela desinternação desde 2009 ocupando setor específico da unidade em Sorocaba, com pessoas na mesma situação. Foi lá que, em 2014, conheceu Maria do Perpétuo.
Juntas novamente – Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a Prefeitura de Sorocaba e o Ministério Público determinou o fechamento dos hospitais psiquiátricos da cidade e o tratamento dos pacientes em meio aberto. Um irmão de Maria do Perpétuo foi localizado em São Bernardo e ela seguiu para a Residência Terapêutica para ficar próxima da família. Como não foram localizados familiares de Rosa, decidiu-se por manter as amigas juntas em São Bernardo.
Maria do Perpétuo lembrou que, enquanto estavam no hospital psiquiátrico, era Rosa quem a ajudava a levantar da cama e, por vezes, buscava água para ela. “Vivíamos em um quarto com outras sete pessoas, mas a Rosa é de quem mais gosto. Às vezes a gente passeava pelo hospital”, lembrou. As duas vão dividir um quarto no andar térreo na nova casa.
São Bernardo conta com seis Residências Terapêuticas, sendo quatro masculinas e duas femininas, que abrigam mais de 50 moradores, pacientes que viveram por décadas em hospitais psiquiátricos. O processo de desinternação teve início em 2009 na cidade, com o objetivo de realizar o tratamento individual e em sociedade. “Contamos com toda a rede de saúde como retaguarda para esses moradores. É um trabalho integrado e multiprofissional que tem por objetivo auxiliá-los no resgate da autonomia e da autoestima”, explicou a coordenadora de oficina terapêutica Maria Aparecida Nardini da Silva.
A profissional lembrou que atualmente a rede de saúde conta com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que desenvolvem projetos terapêuticos individuais, além de ofertar oficina de artes e grupos de discussão. “Com isso conseguimos resgatar a identidade e descobrir a necessidade de cada um. É preciso criar condições e incentivá-los a tomar decisões, como que roupa vestir, o que comer, quais passeios querem fazer. Isso não ocorria nos hospitais”, disse.