Amazônia perdeu área de vegetação do tamanho da França em 40 anos
Foram 52 milhões de hectares entre os anos de 1985 e 2024.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 13/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A forma como a ocupação humana avançou sobre a maior floresta tropical do mundo nas últimas quatro décadas acende um alerta global. Uma análise aprofundada da série histórica de dados do Mapbiomas mostra que a perda de vegetação na Amazônia atingiu um patamar alarmante. Entre 1985 e 2024, o bioma viu desaparecer 52 milhões de hectares de sua cobertura nativa.
Essa imensa área convertida para o uso humano, que representa 13% de todo o bioma, é comparável em tamanho a países inteiros, como a França. Somando-se ao que já havia sido desmatado anteriormente, a Amazônia chegou a 2024 com uma perda acumulada de 18,7% de sua vegetação original, um ritmo que preocupa especialistas.
LEIA MAIS: Desmatamento no Brasil: 9 em 10 pedem mais ação do governo
O ponto de não retorno está próximo
O avanço da destruição coloca a floresta em um caminho perigoso, do qual talvez não haja volta. A velocidade da conversão do solo é um dos fatores mais críticos, com 83% de toda a supressão de vegetação nativa ocorrendo nos últimos 40 anos. A contínua perda de vegetação na Amazônia nos aproxima de um colapso.
“A Amazônia brasileira está se aproximando da faixa de 20% a 25% prevista pela ciência como o possível ponto de não retorno do bioma, a partir do qual a floresta não consegue mais se sustentar”, alerta o pesquisador do MapBiomas, Bruno Ferreira.
Agropecuária e mineração impulsionam devastação
Os principais vetores dessa transformação foram atividades econômicas que substituíram a floresta. As pastagens, por exemplo, saltaram de 12,3 milhões para 56,1 milhões de hectares no período. A agricultura, por sua vez, expandiu de forma ainda mais agressiva: sua área cresceu 44 vezes, passando de 180 mil para 7,9 milhões de hectares.
Outras atividades também contribuíram para a severa perda de vegetação na Amazônia:
- Silvicultura: Aumentou 110 vezes, de 3,2 mil para 352 mil hectares.
- Mineração: Passou de 26 mil para 444 mil hectares, um crescimento expressivo.

O avanço da soja sobre a Amazônia
Dentro do cenário agrícola, a soja se destaca como a principal cultura, ocupando 74,4% de toda a área agricultável do bioma, totalizando 5,9 milhões de hectares em 2024. A análise sobre a Moratória da Soja, acordo que proíbe a compra de grãos de áreas desmatadas após 2008, revela um quadro complexo.
Embora grande parte da expansão da soja (3,8 milhões de hectares) tenha ocorrido sobre áreas já convertidas anteriormente, a conversão direta de floresta para lavoura de soja após o acordo ainda foi significativa, somando 769 mil hectares. Este dado mostra que, mesmo com mecanismos de controle, a perda de vegetação na Amazônia para a monocultura continuou. O combate a essa tendência é fundamental para evitar o ponto de não retorno e a perda de vegetação na Amazônia em larga escala.