Amazônia registra menor desmatamento no primeiro semestre em 10 anos

Dados do Inpe mostram queda de 38% nos alertas de desmatamento na Amazônia e redução de 6% no Cerrado em relação ao mesmo período de 2025

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Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal somaram 1.295 quilômetros quadrados entre janeiro e junho de 2026, o menor índice para um primeiro semestre desde o início da série histórica do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciada em 2016. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) e apontam uma redução de 38% em relação ao mesmo período de 2025.

No Cerrado, o sistema registrou 3.142 quilômetros quadrados sob alerta de desmatamento nos seis primeiros meses do ano, resultado que representa queda de 6% na comparação anual e o menor volume para o período desde 2021.

O Deter fornece alertas para orientar ações de fiscalização ambiental. Já os dados oficiais sobre desmatamento são produzidos pelo sistema Prodes, também do Inpe, que realiza medições anuais com maior precisão.

Junho também apresenta redução nos dois biomas

Considerando apenas o mês de junho, a Amazônia registrou 297 quilômetros quadrados de vegetação sob alerta de desmatamento, uma redução de 35% frente ao mesmo mês de 2025. No Cerrado, foram contabilizados 482 quilômetros quadrados, queda de 5%.

Os dois biomas concentram cerca de 73% do território brasileiro, sendo aproximadamente 49% na Amazônia e 24% no Cerrado. Somadas, as áreas sob alerta de desmatamento nos primeiros seis meses do ano totalizam 4.437 quilômetros quadrados, equivalente a quase três vezes a área do município de São Paulo.

Segundo especialistas, os primeiros meses do ano costumam apresentar índices menores devido ao período chuvoso, que dificulta a derrubada da vegetação e reduz a qualidade das imagens captadas por satélite. Historicamente, o pico do desmatamento ocorre entre maio e setembro.

Monitoramento anual mantém tendência de queda

O Inpe também acompanha o desmatamento em um período móvel de 12 meses, entre agosto de um ano e julho do seguinte. Nessa metodologia, a Amazônia acumula 2.486 quilômetros quadrados sob alerta desde agosto de 2025, redução de 37% em comparação ao ciclo anterior, quando foram registrados 3.960 quilômetros quadrados.

No Cerrado, o acumulado é de 4.686 quilômetros quadrados, representando queda de 8% em relação ao período compreendido entre agosto de 2024 e junho de 2025.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, os resultados refletem ações integradas entre o governo federal, estados e municípios voltadas ao fortalecimento da fiscalização e da implementação de políticas públicas ambientais.

El Niño preocupa autoridades para o segundo semestre

Apesar da redução registrada até junho, a previsão de atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre aumenta a preocupação com o risco de estiagem, avanço do desmatamento e crescimento das queimadas florestais.

A seca favorece a propagação do fogo, geralmente iniciado por ações humanas, como queimadas ilegais, incêndios criminosos ou acidentais. O cenário deverá testar a efetividade da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024 após a temporada de grandes incêndios registrada naquele ano.

Mato Grosso e Maranhão lideram os alertas

Entre os estados da Amazônia, Mato Grosso liderou os alertas de desmatamento em 2026, com 489 quilômetros quadrados, seguido por Pará (391 km²) e Amazonas (184 km²).

No Cerrado, os maiores registros ocorreram em Maranhão (839 km²), Tocantins (825 km²) e Piauí (368 km²).

A dinâmica do desmatamento varia entre os biomas. Na Amazônia, a maior parte dos alertas ocorre em áreas públicas não destinadas e em áreas protegidas invadidas. Já no Cerrado, o desmatamento concentra-se principalmente em propriedades privadas.

Pela legislação ambiental brasileira, o Código Florestal permite percentuais maiores de supressão de vegetação no Cerrado do que na Amazônia. As autorizações são concedidas pelos órgãos ambientais estaduais, responsáveis pelo licenciamento e pela fiscalização dessas atividades.

O desmatamento continua sendo a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Segundo o Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (Seeg), a atividade respondeu por 42% das emissões nacionais de carbono em 2024, último ano com dados consolidados. A redução da perda de vegetação nativa é considerada um dos principais compromissos brasileiros para o cumprimento das metas climáticas previstas no Acordo de Paris.

  • Publicado: 10/07/2026 08:58
  • Alterado: 10/07/2026 08:58
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress