Alunos do CRI de SBC veem oficinas de pintura como terapia

Idosos avaliam que atividades semanais são uma forma de distrair a mente e se manterem ativos

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COMO TERAPIA. É dessa maneira que alunos definem os benefícios das aulas de pintura em tela oferecidos pelo Centro de Referência do Idoso (CRI) da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc) da Prefeitura de São Bernardo do Campo. Uma vez por semana, toda quarta-feira pela manhã, os 22 alunos que compõem as duas turmas colocam pincéis, tecidos, tinta a óleo e telas debaixo do braço para o encontro com o “mundo das cores”. 

Vovôs e vovós são unânimes em afirmar que se interessaram pela oficina de pintura para preencher o dia a dia com alguma atividade que espantasse o tédio. Alguns deles, porém, por preocupação com a saúde mental. É o caso da ex-costureira Thereza Alcalde, 82 anos. “Ouvi dizer que o desenho e a pintura estimulam o cérebro. Aí decidi vir, porque minha mãe e um irmão, já falecidos, tiveram Alzheimer (doença neurodegenerativa). Não quero ter o mesmo problema.”

No entanto, a preocupação não tira o bom humor da aposentada que, ao contrário dos demais alunos, em vez de tinta a óleo comprou acrílica, que seca mais rápido. “Acho que sou distraída desde que nasci. A professora avisou, mas na hora acho que estava desligada”, brincou Thereza, que no ano passado participou das aulas de piano oferecidas pelo CRI. Ela até já tentou “arrastar” o marido, de 83 anos, para as aulas, mas não conseguiu. “Ele não quer vir. Prefere as caminhadas matinais. Já é alguma coisa.”

A também aposentada Laíde Osti, 76, faz cursos com certa frequência desde que se aposentou, em 2004. Já fez de informática, desenho e pintura em tecidos, entre outros. Mas garante que, de todos, a pintura em tela foi a que mais a cativou. “É a minha paixão. Sempre que tem cursos aqui eu faço.”

 Laíde retornou às aulas há poucos dias porque em 12 de junho, data da abertura dos jogos da Copa do Mundo, sofreu queda na rua e fraturou o punho direito. “Ainda faço fisioterapia. Não via a hora de voltar às aulas. Tive início de depressão e foi preciso buscar acompanhamento psicológico. Agora me sinto bem novamente.”

BENEFÍCIOS — A professora das turmas, Marli Pelosini, 66, formada em Educação Artística, atesta os benefícios das atividades. “O desenho e a pintura ativam o lado direito do cérebro, que é o que mexe com as emoções, a sensibilidade, a criatividade. Esses estímulos são importantes para o cérebro, ajudam a manter a lucidez. O lado esquerdo do cérebro é o da objetividade, da lógica, aquele que só vê uma solução para determinada situação”, explicou.

 Marli conta que só começou a fazer o curso de Educação Artística quando se aposentou como diretora de escola, aos 45 anos. “Estava no auge da minha vida e não queria parar. Já tinha feito Letras e Pedagogia. Desde pequena gosto da pintura, então decidi fazer e estou muito feliz por poder lecionar para essa turma. Um dos benefícios dessas oficinas da Prefeitura é que contribuem para a socialização.”

A professora dividiu a oficina em três etapas: desenho, teoria das cores e a pintura em tela. Ela revela que no início alguns alunos não “curtiram” as aulas de desenho, por acharem que não levavam jeito para o traço. “Depois, se surpreenderam. A pintura é apenas o desenho colorido. O desenho é importante na etapa inicial porque se aprende a noção de volume, perspectiva, claro e escuro, sombra e luz e proporção.”

Na teoria das cores os alunos aprendem a compor novos tons a partir das misturas, como o amarelo e o vermelho, que formam o laranja. A última etapa é a aplicação da tinta sobre tecido.

Além da pintura em tela, o CRI oferece outras oficinas aos idosos, entre as quais, aulas de piano, pintura em tecido, teatro e tai chi chuan.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 02/10/2014
  • Fonte: FERVER