Alunos de Etec criam prótese de braço em 3D para colega

Com foco na redução de desigualdades, projeto da Etec de Mococa busca aperfeiçoar terceira versão de prótese mecânica

Crédito: Divulgação

A história da estudante Maria Alice Francisco, da Etec Francisco Garcia em Mococa, transformou-se em um exemplo de inovação e empatia dentro do ambiente escolar. Nascida com uma malformação congênita no braço esquerdo, Maria Alice inspirou os colegas Fabrício Bueno Francisco e Lucas Marques de Souza, do curso técnico de Mecânica, a desenvolverem uma prótese funcional utilizando tecnologia de impressão 3D. O projeto, batizado de Adaptamão, foi orientado pelos professores Jayro do Nascimento Neto e Regina Destro Silva e foca em oferecer autonomia e inclusão a um custo significativamente menor do que os modelos biônicos ou estéticos encontrados no mercado, que podem ultrapassar a marca de R$ 200 mil.

O desenvolvimento do dispositivo exigiu um esforço técnico considerável por parte dos estudantes, que enfrentaram o desafio de selecionar filamentos flexíveis capazes de suportar a articulação dos dedos sem quebrar ou romper os cabos de acionamento. Após uma versão inicial, o grupo percebeu que reposicionar o bracelete de fixação para cima do cotovelo seria a chave para automatizar o movimento de abertura e fechamento da mão. Na segunda versão, o sistema passou a utilizar fios que simulam tendões, acionados pelo movimento natural do braço da usuária. Para Maria Alice, os resultados foram imediatos, permitindo que ela realizasse tarefas cotidianas antes impossíveis, como segurar objetos ou prender o próprio cabelo.

O Adaptamão ganhou destaque ao ser apresentado na 16ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), principal vitrine de inovação das Etecs e Fatecs paulistas. Além do impacto social direto, a iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especificamente no combate às desigualdades. Enquanto a equipe já trabalha em uma terceira versão para ampliar a flexibilidade da peça, o projeto lança luz sobre uma carência de dados no Brasil. O Censo de 2022 aponta que 14,4 milhões de brasileiros possuem alguma deficiência, mas não detalha casos de malformações de membros superiores. Dados do SUS indicam que, entre 2015 e 2020, foram realizadas mais de 10 mil amputações de braços e mãos no país, reforçando a urgência de soluções acessíveis como a criada em Mococa.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/02/2026
  • Fonte: Sorria!,