Alunos de escola estadual catalogam 250 espécies em SP
Alunos de escola estadual em São Paulo catalogam mais de 250 espécies de fauna e flora em projeto científico e inclusivo
- Publicado: 07/06/2026 17:02
- Alterado: 07/06/2026 17:02
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
O que começou como uma simples atividade de observação de pássaros transformou-se em um robusto inventário científico. Estudantes da Escola Estadual MMDC, localizada na Zona Leste da capital paulista, já registraram e catalogaram mais de 250 espécies de fauna e flora dentro do próprio perímetro escolar. A iniciativa faz parte do projeto Escola Biofílica, que recentemente ganhou projeção internacional ao ser apresentado no Avistar Brasil, o maior evento de observação de aves e conservação ambiental da América Latina.
O projeto nasceu em 2024 como uma disciplina eletiva dentro do modelo de Ensino Integral. Sob a coordenação dos professores Lucas Arjona (Biologia e Ciências) e Caroline Lopes, o programa reúne hoje cerca de 50 alunos em atividades que unem preservação ambiental, tecnologia e inclusão social.
Ciência Cidadã e Programação em Python

O monitoramento e o mapeamento das espécies são feitos de forma profissional. Os alunos já somam mais de 600 registros inseridos no iNaturalist, uma plataforma global de ciência cidadã que permite a qualquer pessoa acompanhar o inventário da escola em tempo real.
O projeto expandiu-se tanto que rompeu as fronteiras das ciências biológicas:
- Novas Plataformas: Estudantes do ensino técnico de desenvolvimento de sistemas estão criando um site exclusivo para consolidar o banco de dados da escola;
- Análise de Dados: Grupos de alunos utilizam a linguagem de programação Python para processar dados de análise ambiental e estudar o comportamento das espécies nativas mapeadas no pátio.
Inclusão, Acolhimento e Refúgio Mental

Para além dos resultados científicos, a aproximação com a natureza tem gerado transformações psicossociais profundas no cotidiano dos estudantes:
- Foco e Canalização de Energia: O estudante Renan Miranda, de 14 anos, que possui diagnóstico de TDAH, relata ter encontrado no plantio de árvores nativas (como o pau-brasil) e no cuidado com a terra uma forma de reduzir a agitação. “O projeto me ajudou com os problemas que eu tenho. Hoje me sinto bem melhor, fico mais na sala de aula”, reconhece.
- Socialização e Calma: Marina Bella, de 12 anos, destaca que o ambiente silencioso das observações atua como um regulador emocional, ajudando no combate à ansiedade e facilitando a criação de novas amizades.
- Inclusão: O professor Lucas Arjona relembra ainda o impacto na educação inclusiva, mencionando um aluno que encontrou nas tarefas manuais de jardinagem um verdadeiro “refúgio mental” e senso de pertencimento.
O sucesso metodológico da iniciativa fez o professor Lucas Arjona ser convidado pela Secretaria da Educação (Seduc-SP) e pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) para compartilhar o modelo da Escola Biofílica com representantes de todas as 91 Unidades Regionais de Ensino do Estado de São Paulo.