Alunas de São Caetano publicam artigo científico em revista técnica

Alunas da rede municipal de São Caetano publicam artigo científico sobre óleos essenciais na revista BJAER após destaque em Expo Ciência

Crédito: Divulgação/PMSCS

O ambiente acadêmico brasileiro acaba de ganhar novos nomes vindos diretamente do ensino básico. Isabella Almeida Juli e Izzis Nascimento Costa, alunas da EME Profª Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, alcançaram o feito de publicar um artigo científico na prestigiada Brazilian Journal of Animal and Environmental Research (BJAER). O estudo, que investiga os riscos do uso indiscriminado de óleos essenciais, nasceu dentro do Clube de Ciências da escola e contou com a orientação do professor Maurizio Fioretti.

Do Clube de Ciências para a publicação internacional

A trajetória das jovens pesquisadoras, ambas de 17 anos, começou a ganhar tração em 2025, durante a II Expo Ciência de São Caetano do Sul. Sob a supervisão de Fioretti, professor de química, elas apresentaram uma tese interativa que questionava a segurança das substâncias naturais. A recepção positiva no evento foi o catalisador necessário para que o projeto de feira de ciências fosse transposto para o rigor de um artigo científico.

O docente destaca o potencial das estudantes durante o processo de mentoria. “Eu tinha dois diamantes nas mãos e precisava lapidá-los”, afirma Fioretti. Segundo ele, o domínio do tema demonstrado pelas alunas foi o que permitiu elevar o nível do trabalho para padrões de publicação acadêmica.

Desafios da produção científica no Ensino Médio

Escrever e publicar um artigo científico ainda sendo estudante secundarista é um desafio estatístico no Brasil, onde a maioria das publicações provém de programas de pós-graduação. O professor Maurizio relata que a maior barreira foi encontrar um periódico que aceitasse trabalhos de nível médio.

“Me falaram que as revistas científicas só publicam artigos de universidade, mas entrei em contato com a BJAER e expliquei tudo. Pediram algumas alterações e avisaram que o artigo seria publicado”, explica o orientador.

As alunas reforçam que o apoio institucional foi decisivo para superar a insegurança inicial. “A gente ficou com medo, mas o Maurizio disse: ‘vocês dominaram o assunto, vão conseguir fazer’ e realmente fizemos”, celebra a estudante Izzis Nascimento Costa.

O impacto da pesquisa na carreira profissional

O contato precoce com a metodologia necessária para redigir um artigo científico moldou as aspirações de carreira de Isabella e Izzis. Influenciadas pela experiência no Clube de Ciências, as jovens já definiram seus caminhos no ensino superior:

  • Izzis Nascimento Costa: Pretende cursar Biomedicina.
  • Isabella Almeida Juli: Escolheu a graduação em Farmácia.

Para Isabella, o processo de investigação sobre óleos essenciais foi o divisor de águas. “O professor me explicou tudo, estava muito em dúvida, mas agora quero seguir para Farmácia”, revela.

Formação de jovens cientistas na rede pública

A publicação deste artigo científico é vista pela comunidade escolar como uma validação do investimento em centros de capacitação e clubes de ciência. O sucesso das estudantes de São Caetano do Sul demonstra que o rigor acadêmico pode e deve ser estimulado antes da universidade.

Maurizio Fioretti, que atua com o objetivo de identificar e formar novos talentos, é enfático sobre o futuro das alunas: “Como pesquisador eu posso dizer, com a bagagem que elas têm hoje, elas já têm capacidade de trabalhar em qualquer instituto de pesquisa”. A expectativa é que este artigo científico seja apenas o primeiro de muitos na trajetória das futuras pesquisadoras.

  • Publicado: 21/05/2026 15:10
  • Alterado: 21/05/2026 15:10
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: PMSCS