Aluísio Segurado assume reitoria da USP

Tarcísio nomeia Aluísio Segurado, que assume a USP com o desafio de renegociar o financiamento e promover diálogo com críticos da instituição

Crédito: Marcos Santos/USP

A Universidade de São Paulo (USP) tem um novo líder: o professor Aluísio Segurado foi oficialmente nomeado como reitor da instituição pelo governador Tarcísio de Freitas. A decisão consolida o resultado das eleições acadêmicas, nas quais Segurado, que é infectologista e professor da Faculdade de Medicina, liderou com expressiva vantagem a lista tríplice apresentada à chefia do Executivo estadual.

A ratificação do nome de Aluísio Segurado segue a tradição de São Paulo de respeitar a vontade da comunidade universitária, que elege seu novo gestor após um processo que envolve a votação de alunos, docentes e funcionários, além da aprovação na assembleia universitária. Apesar de historicamente a nomeação do mais votado ser a regra, o governador tem a prerrogativa de escolher qualquer um dos nomes da lista. Houve precedentes de quebra dessa tradição, como em 2009, quando o então governador José Serra optou por João Grandino Rodas, o segundo colocado. Durante o período da ditadura militar, o então governador Paulo Maluf também já havia ignorado a votação da comunidade ao nomear um diretor menos votado para a Escola Politécnica.

O desafio do novo Financiamento e o papel diplomático de Aluísio Segurado

Aluísio Segurado
Cecília Bastos/USP Imagens

Em sua nova gestão, o professor Aluísio Segurado terá de enfrentar uma série de desafios complexos, que vão desde a busca por estabilidade financeira até a redução das críticas externas direcionadas à USP. Um dos pontos mais urgentes é a necessidade de criar um novo modelo de financiamento para as universidades estaduais paulistas. Esse tema tornou-se ainda mais crítico devido à iminente reforma tributária, que prevê a extinção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um dos pilares da arrecadação que sustenta a educação superior no estado.

Em entrevista concedida antes da eleição, Segurado destacou que o próximo reitor precisará de habilidades diplomáticas aprimoradas para dialogar com diversos grupos sociais e políticos, com o objetivo claro de mitigar os ataques e críticas à instituição. “Essa discussão requer liderança que consiga articular com eficiência e envolver a sociedade nesse debate”, afirmou o novo reitor.

Além das questões financeiras, Segurado salientou a importância de a universidade se preparar para as mudanças no cenário político paulista, visto que as eleições para governador e deputados estaduais ocorrerão no próximo ano. O novo reitor, que atualmente é pró-reitor de graduação na gestão de Carlos Gilberto Carlotti Junior, acredita que o ambiente polarizado da sociedade está por trás dos recentes ataques à USP. Uma de suas estratégias para enfrentar essa onda de críticas é justamente promover diálogos abertos com grupos conservadores.

O legado da pandemia e a relevância da USP

A trajetória do professor Aluísio Segurado foi marcada por um papel crucial durante a crise sanitária global. Como diretor do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC), ele coordenou a rápida adaptação do maior complexo hospitalar da América Latina para atender exclusivamente pacientes com Covid-19.

O reitor ressaltou a atuação vital da USP durante a pandemia, defendendo a manutenção da universidade como uma entidade relevante e atuante na sociedade. “Mobilizamos esforços significativos e rapidamente adaptamos o HC para atender exclusivamente pacientes com Covid-19. A USP esteve à disposição da população em um momento crítico”, observou Segurado, reforçando o compromisso social da instituição.

Acesso, evasão e a reforma curricular na USP

Divulgação/Governo de SP

Outro pilar da agenda de Aluísio Segurado é a otimização do ensino de graduação. Em sua atuação como pró-reitor, ele conduziu análises detalhadas sobre o preenchimento das vagas ofertadas e as taxas de evasão nos cursos. O objetivo é duplo:

  • Aumentar as oportunidades de ingresso e conclusão para jovens na USP.
  • Evitar o desperdício de recursos públicos.

Segurado aponta que é essencial adaptar os currículos para torná-los mais atrativos, visando reduzir as altas taxas de evasão que estão frequentemente associadas à baixa procura ou ao abandono dos cursos. O quadriênio recente já trouxe um investimento significativo em revisões curriculares, com a atualização de mais de 140 projetos pedagógicos. Com 20% do corpo docente renovado (cerca de 900 novos professores contratados), o novo reitor acredita que a universidade tem o cenário ideal para implementar essas transformações.

“Precisamos reconsiderar como exigimos que os candidatos escolham seus cursos no vestibular”, enfatizou Segurado, criticando a pressão sobre os vestibulandos para decidir entre cursos complexos sem o pleno entendimento das diferenças entre eles. Para ele, “é injusto exigir tal decisão em um estágio tão precoce”.

Para combater a evasão escolar de forma mais direcionada, a gestão de Segurado planeja estabelecer um Núcleo de Acessibilidade Pedagógica. A iniciativa visa oferecer as adaptações necessárias para:

  • Alunos neurodivergentes ou com deficiência.
  • Estudantes com lacunas de conhecimento adquiridas, por exemplo, durante as aulas remotas da pandemia.

Por fim, o novo reitor da Universidade de São Paulo defende uma mudança na percepção sobre o rigor acadêmico da instituição. “A experiência do aluno no primeiro ano deve ser acolhedora e não intimidadora”, concluiu, prometendo priorizar melhorias nesse aspecto durante sua gestão, garantindo que o prestígio da USP caminhe lado a lado com a acessibilidade e o apoio ao estudante.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 02/12/2025
  • Fonte: Sorria!,