Altos e baixos dos preços de alimentos mudam comportamento de consumo 

Programas de benefícios e geração de empregos impacta no consumo dos lares brasileiros, como restituição de IR, programas do governo Federal e melhora na taxa de desemprego mantêm o consumo em equilíbrio, com leve alta de 2,63%, no primeiro semestre, mas com mudança de comportamento

Crédito: Reprodução ABRAS

A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) apresentou, na manhã desta quinta-feira (24), os números do levantamento do Consumo nos Lares Brasileiros referente a junho/2025, quando Márcio Milan, vice-presidente de Relações Institucionais e Administrativo da entidade pontuou os valores dos produtos que mais e menos pesaram no bolso do consumidor, além da mudança de comportamento.

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“O consumo nos lares brasileiros fechou o primeiro semestre com um crescimento acumulado de 2,63%. Na comparação com junho do ano passado, o aumento foi de 2,83%. E, em relação a maio, o indicador registrou uma alta de 1,07%. Esse desempenho reforça a resiliência do consumo, percebe Milan.

O grupo de alimentos faz parte da lista de primeira necessidade do ser humano, acompanhado de vestuário e moradia, assim, Márcio iniciou a explanação com dois tópicos que interferem diretamente no comportamento de consumo da população, a taxa de desemprego e a inflação.

Foto: © Tânia Rêgo/Agência Brasil

E se, no primeiro o cenário, os números não são tão caóticos, já no segundo, o momento ainda é de cautela, porém, o vice-presidente consegue enxergar o ‘copo meio cheio’ ao ver uma tendência de queda deste indicador.

Desemprego e inflação

“O recuo da taxa de desemprego tem um efeito relevante no comportamento do consumo. Ao longo do semestre, viemos reiterando a queda do desemprego como um fator relevante para sustentar o consumo da família. No trimestre de março, abril e maio do ano passado, a taxa de desemprego estava em 7,1%, já no mesmo período deste ano, recuou para 6,2%. Já a inflação vem desacelerando nos últimos meses. Em maio, atingiu 0,26% e, em junho, 0,24%. Contudo, no ano, a inflação acumula, no grupo de alimentos, +3,69, enumerou Milan.

A redução de 0,9% de desempregados faz com que uma pequena parcela de trabalhadores volte a ser economicamente ativos, consiga ter renda e possa levar o alimento até a mesa de sua família.

Já na inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), grupo alimentos, apesar do recuo de -0,18%, em maio passado, o acumulado do ano ainda fica acima dos três por cento, conforme explicou Márcio.

Mas, o sistema econômico como um todo depende de uma série de fatores para se mostrar resiliente e de forma que não entre em colapso, dessa maneira, Milan colocou em evidência o que fez com que o mercado pudesse se manter e indicar para uma inclinação positiva, como os programas de incentivo do governo Federal e outras medidas que injetaram dinheiro na economia.

Enxurrada de dinheiro na economia

“É importante olhar para a relevância dos recursos, dos reajustes, das transferências de renda que contribuíram para movimentar o consumo das famílias. Entre elas, o reajuste do salário mínimo, com aumento real de 7,5%. A liberação de R$ 12 bilhões por meio do saque-aniversário do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). As transferências regulares do Bolsa Família, totalizando R$ 82,1 bilhões no período. O auxílio-gás, com pagamentos bimensais e o valor total estimado em R$ 1,74 bilhão. A continuidade do calendário do PIS-PASEP, com provisão de R$ 30,7 bilhões em 2025”, elencou o vice-presidente.

Contudo, não foram somente estes aportes financeiros que contribuíram com a manutenção de uma economia, se não estável, ao menos, não tão desequilibrada, como a liberação de R$ 12,06 bilhões de Requisições de Pequeno Valor (RPVs) do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), o reajuste dos servidores públicos federais, em um valor estimado de R$ 17,9 bilhões

E tem mais

Além do pagamento do 13º salário para aposentados, pensionistas e demais beneficiários do INSS, alcançando o total de R$ 73,3 bilhões entre abril e junho.

E, ainda houve a liberação dos dois primeiros lotes de restituição do Imposto de Renda (IR) que, pagos em maio e junho, totalizaram mais de R$ 22 bilhões direto na economia.

Apesar de todos esses esforços e enxurrada de dinheiro na economia, ainda que modesta, a leve alta da inflação no grupo de alimentos forçou a mudança de hábito de consumo do brasileiro, que trocou de marcas e ampliou a pesquisa de preços, porém, não reduziu o volume de consumo, conforme comentou Márcio Milan.

35 produtos

E no compilado de 35 produtos de amplo consumo, a pesquisa Abrasmercado indica que a variação foi de queda de 0,43% em junho, modesta, mas importante, após nove altas mensais consecutivas, conforme comentou Márcio.

“A última deflação ocorreu em agosto de 2024, quando a variação foi de 1,32%. Com o recuo, o valor da cesta passou de R$ 823,37 em maio para R$ 819,81 em junho. Apesar da redução no mês, os preços acumulam altas de 3,18% no semestre e 9% no intervalo de 12 meses”, explicou ele.

A seguir, os índices em percentuais de elevação e queda de preços no mês de junho. Um dos alimentos mais ricos em proteína, o ovo, o ‘queridinho’ dos atletas, das boleiras, e de outros grupos de consumidores, teve queda de 6,58%, que trouxe consigo a redução na carne bovina, com recuo de 1,17% nos cortes traseiros, e 0,64% no dianteiro.

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E se, quando o ovo e a carne bovina apresentam alta de preços, a saída é consumir outro tipo de proteína animal, esta tem sido a carne de frango que, do tipo congelado, caiu 0,47%.

Na contramão destas proteínas, está o pernil, que apresentou modesta alta de 0,32%.

Mas, no acumulado de 12 meses, todos os itens mencionados apresentaram alta de preços, em quatro deles com dois dígitos: 6,82%, 22,58%, 28,63%, 10,43% e 20,02%, respectivamente.

Outros cinco produtos alimentícios que fazem parte do dia a dia do brasileiro, muitas vezes, essenciais para o preparo de diversos pratos ou para alimentação básica, apontaram para a redução de preços, ainda que dois deles tenham apresentado alta no acumulado nos 12 meses.

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O arroz teve diminuição de 3,23%, a farinha de trigo recuou de forma bem modesta, queda de 0,66%, o preço do óleo de soja encolheu 0,59%, o feijão, 0,49%, e o leite longa vida retraiu 0,25%.

Dessa maneira, no acumulado em 12 meses, arroz, feijão e leite longa vida mantiveram a tendência de queda de 16,78%, 9,73% e 2,05%, respectivamente.

No entanto, nesse mesmo período, a farinha de trigo subiu 2,67% e o óleo de soja alcançou dois dígitos também 19,47%.

Já dos itens de higiene, nenhum se salvou, todos analisados apresentaram alta, creme dental, subiu 0,09%, shampoo, elevação de 0,55%, o sabonete alta de 0,71% e o papel higiênico aumentou 0,82%. Com isso, no acumulado dos 12 meses, altas de 6,25%, 6,07%, 0,62% e 2,57%, respectivamente.

Mudança de comportamento

Bem, mas como informado acima por Márcio, essas altas têm forçado a mudança no comportamento do consumidor que, ou troca de marca, ou faz mais pesquisas, o que ajudará na economia lá na conta familiar final.

Voltando aos alimentos, agora é a vez das FLVs (frutas, legumes e verduras), em que no hortifruti, a batata e a cebola registraram queda de 1,90% e 0,13%, respectivamente, por outro lado, o tomate puxou o indicador para cima, com alta de 3,25%.

Mas, no acumulado de 12 meses, os três itens tiveram redução de dois dígitos: 38,73%, 38,72% e 10,02%, respectivamente.

De posse destes dados, a ABRASindicou que o preço da cesta com 35 produtos de largo consumo chegou a R$ 823,37 em maio, enquanto, em junho retraiu para R$ 819,81, redução de 0,43% de um mês para o outro, mas alta de 9% no acumulado dos 12 meses.

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Entre as regiões, no mês de junho, Sudeste ficou com uma cesta ao custo de R$ 836,85, Centro-Oeste com um valor menor, de R$ 772,03, menor ainda ficou o preço na região Nordeste, ao preço de R$ 730,98, entretanto, regiões Sul e Norte amargaram os maiores preços da cesta, R$ 897,63 e R$ 888,51%, respectivamente.

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Já a cesta básica, que compreende cerca de 12 produtos, fechou o mês de junho no Sudeste ao preço de R$ 366,98; na região Sul, um pouco maior, R$ 378,70, Centro-Oeste comercializa o conjunto de produtos ainda mais barato, ao valor de R$ 346,67, menor ainda é o preço da cesta no Nordeste, que custa, em média, R$ 306,71, e por fim, o maior preço dos produtos ficou no Norte do Brasil ao preço de R$ 421,19.

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O ABCdoABC perguntou ao vice-presidente, se o tarifaço Norte-americano pode ser positivo para a economia voltada ao consumo do brasileiro, mas Márcio preferiu ponderar sobre expectativas.

Não necessariamente essa desorganização poderá significar uma baixa de preço. Eu acho que ainda é um pouco prematuro da nossa parte avançar nesses dados do quanto isso vai impactar, porque os próprios produtores ainda têm expectativa que exista uma sinalização de uma negociação que não seja tão forte como essa. Mas a atenção que nós temos é que o mercado interno tem neste momento oportunidade de crescimento com relação a escoamento de eventuais excessos de produto que tem. Por outro lado, há notícias também da indústria que determinados produtos vão ser congelados, esperando um outro momento e assim por diante. Então, a gente não consegue, nesse momento, ainda ter um olhar um pouco mais adiante sem ter a informação correta de como será esse tarifaço, concluiu o vice-presidente.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/07/2025
  • Fonte: Fever