Alta nos preços de itens como café e ovos preocupam famílias

O aumento dos preços não se limita apenas ao café; frutas como tangerina e abacate também registraram aumentos significativos nos últimos meses

Crédito: Valter Campanato - Agência Brasil

A alta dos preços de itens essenciais na mesa dos brasileiros, como café e ovos, tem gerado preocupações entre os consumidores e especialistas em economia. A inflação de alimentos e bebidas no país alcançou 7% nos últimos 12 meses até fevereiro, conforme dados do IBGE, levando analistas a investigar as causas desse aumento significativo.

As opiniões entre especialistas divergem, com algumas atribuindo a inflação a fatores como as mudanças climáticas e outras apontando para as dificuldades fiscais do governo. O café, por exemplo, sofreu um aumento aproximado de 66% em um ano, enquanto o preço do ovo de galinha subiu 10,5%, refletindo a pressão sobre as famílias de baixa renda que dependem desses alimentos como fontes acessíveis de proteína.

As classes mais pobres têm adotado estratégias alternativas para manter seu consumo de proteína, optando por cortes menos convencionais, como carcaças de frango e suã de porco, que são mais baratos. Mesmo consumidores de classes econômicas mais altas estão alterando seus hábitos alimentares em resposta aos preços crescentes, trocando marcas de produtos populares.

No mês de março, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrou uma elevação de 0,64%, impulsionada principalmente pelos custos com alimentação e combustíveis. Um fator amplamente reconhecido pelos economistas é a valorização do dólar em relação ao real, que encareceu os produtos importados. O economista Samuel Pessoa destaca que o preço dos alimentos no mercado interno é fortemente influenciado pelas cotações internacionais em dólares.

A moeda americana iniciou 2024 com uma média de R$ 4,91 e fechou o ano anterior cotada a R$ 6,10, representando um aumento expressivo de aproximadamente 24%. A escalada nos preços foi exacerbada por reações do mercado financeiro às propostas de ajuste fiscal do governo federal.

A dívida pública brasileira também levanta preocupações. O Banco Central indicou que a dívida bruta pública estava em cerca de 75% do PIB em janeiro. Com o mercado cético quanto à capacidade do governo em controlar essa dívida, a instabilidade cambial gera impactos inflacionários.

Além disso, produtos frequentemente consumidos pela população, como óleo de soja e azeite de oliva, apresentaram aumentos significativos devido à variação cambial. Como resposta à alta generalizada nos preços dos alimentos, o governo anunciou cortes tributários sobre alguns itens básicos.

Recentemente, o vice-presidente Geraldo Alckmin expressou otimismo em relação às previsões agrícolas para 2025, acreditando que condições climáticas mais favoráveis poderão contribuir para um aumento na produção agrícola.

Por outro lado, os efeitos das mudanças climáticas continuam a impactar a agricultura no Brasil. Fenômenos como o El Niño alteram os padrões climáticos e afetam as safras. Regiões como o Norte e Nordeste enfrentam secas severas enquanto o Sul experimenta chuvas excessivas. Esses fenômenos têm resultado na redução da produtividade agrícola e contribuído para a inflação alimentar.

Segundo análises da consultoria LCA, cerca de 2,25 pontos percentuais da inflação alimentar registrada em 2024 foram atribuídos diretamente aos efeitos do El Niño. A escassez hídrica afetou mais da metade do território brasileiro e comprometeu a colheita de diversos produtos.

O aumento dos preços não se limita apenas ao café; frutas como tangerina e abacate também registraram aumentos significativos nos últimos meses devido às condições climáticas adversas. Assim, tanto as secas quanto as chuvas excessivas prejudicam a produção agrícola e afetam diretamente os preços ao consumidor final.

A complexidade dessa situação ressalta a necessidade urgente de soluções sustentáveis e políticas eficazes que possam mitigar os efeitos da inflação alimentar e garantir segurança alimentar para todos os brasileiros.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 27/03/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo