Alta do Euro frente ao Dólar redefine estratégias dos investidores globais
Crescimento europeu, juros dos EUA e tensões comerciais impulsionam moeda europeia e desafiam hegemonia do dólar no mercado internacional
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 15/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Uma mudança significativa no cenário econômico global tem levado investidores a reavaliar suas estratégias financeiras, especialmente no que diz respeito ao dólar americano. A adoção de políticas comerciais mais rigorosas pelos Estados Unidos, combinada com o aumento da confiança na economia da zona do euro, resultou em uma valorização do euro, que já subiu mais de 10% em relação ao dólar desde o início deste ano.
Neste dia 15, a cotação do euro estava em 1,13 dólares. Esse fenômeno é impulsionado principalmente pelas políticas protecionistas implementadas pela administração do ex-presidente Donald Trump e pela recuperação econômica observada na zona do euro. Composta por 20 dos 27 países da União Europeia (UE), essa região mostrou um crescimento de 0,8% no ano passado e tem previsões otimistas, com expectativa de crescimento de 1,3% até 2025.
Tarifas e a fuga do dólar
Contudo, as tarifas de 20% sobre importações da UE impostas pelos EUA — atualmente suspensas por 90 dias — podem representar um obstáculo para essa recuperação. As sobretaxas sobre aço, alumínio e veículos já impactaram negativamente as previsões econômicas, especialmente para a Alemanha.
Diante desse cenário, muitos investidores estão optando por transferir seus ativos denominados em dólares para ações e títulos europeus. Esse movimento de “fuga do dólar” não apenas valoriza o euro, como também aumenta sua cotação em outras moedas. Entre 1º e 11 de abril, a cotação do euro em relação ao real passou de R$ 6,13 para R$ 6,66.
A disparidade nas políticas monetárias entre os dois lados do Atlântico também contribui para essa tendência. O Federal Reserve vem reduzindo as taxas de juros, o que torna os empréstimos mais acessíveis, mas também diminui os rendimentos de investimentos em renda fixa. Em contrapartida, o Banco Central Europeu (BCE) mantém uma abordagem mais cautelosa frente à inflação persistente.
Confiança no euro e riscos para exportadores
Esse cenário leva investidores a buscarem alternativas mais lucrativas e seguras. Ao vender dólares e aumentar a oferta da moeda no mercado cambial, seu valor tende a cair. Apesar disso, oscilações significativas na taxa cambial são raras; atualmente, o euro é percebido como um contrapeso viável ao dólar diante da turbulência econômica nos EUA.
Holger Schmieding, economista-chefe do Berenberg Bank, afirmou que a incerteza nas políticas americanas sob Trump tem minado a confiança no crescimento econômico dos EUA e na sustentabilidade das finanças públicas. Recentemente, o euro alcançou sua maior cotação em relação à libra esterlina em 17 meses e atingiu um patamar inédito frente ao yuan chinês em 11 anos.
Embora o dólar esteja perdendo valor, Schmieding alerta que o euro ainda não é uma alternativa sólida devido aos efeitos adversos das tarifas americanas sobre o crescimento europeu. A consultoria Oxford Economics prevê que, se as tarifas permanecerem, isso poderá reduzir o crescimento da zona do euro em até 0,3 pontos percentuais neste e no próximo ano.
Além disso, a aprovação de um superpacote fiscal na Alemanha pode impulsionar ainda mais a confiança dos investidores na moeda europeia. O plano prevê investimentos massivos de cerca de 1 trilhão de euros ao longo da próxima década, voltados para defesa e infraestrutura.
A expectativa é que o pacote aumente o PIB alemão em 1% no próximo ano e beneficie os países vizinhos na zona do euro. Outros estados europeus como França, Itália e Espanha devem ampliar seus gastos militares nos próximos dois anos.
Entretanto, a proposta de emitir títulos conjuntos entre os países da zona do euro está sendo discutida como forma de financiar esses gastos. Rebecca Christie, especialista do think tank Bruegel, ressaltou a importância da iniciativa para aumentar a atratividade das transações comerciais denominadas em euros.
A força atual do euro beneficia consumidores europeus, com preços mais baixos para produtos americanos e viagens aos EUA. Contudo, há desvantagens para exportadores, cujos produtos tornam-se mais caros fora da Europa. A Alemanha é particularmente vulnerável a esse desafio por sua dependência das exportações.
Enquanto alguns analistas preveem um fortalecimento adicional do euro, muitos bancos de investimento acreditam que a cotação deve estabilizar-se nos níveis atuais. Christie observa que as incertezas continuam a dominar o cenário econômico mundial e que não há clareza sobre a direção futura do euro em relação ao dólar.