Alta de roubos leva farmácias a reforçar segurança com soluções digitais
Crescimento de produtos de alto valor expõe fragilidade do modelo tradicional e acelera adoção do Varejo 4.0 no setor farmacêutico
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O balcão das farmácias brasileiras, historicamente associado ao acolhimento e ao cuidado direto com a população, passou a conviver com um novo e complexo desafio. O aumento da procura por medicamentos de alto custo e dermocosméticos transformou esses estabelecimentos em alvos frequentes de furtos e roubos, pressionando o setor a rever seus modelos de segurança.
Canetas emagrecedoras e produtos de tratamento contínuo, de elevado valor agregado, estão entre os principais focos de quadrilhas especializadas. Para especialistas do setor, o reforço em câmeras, alarmes e trancas já não é suficiente para conter o problema, que exige respostas estruturais e integradas.
Segundo Cristiano Miranda Silva, head de Negócios da Interplayers, o cenário atual impõe uma transição estratégica. A segurança das farmácias passa a depender menos de barreiras físicas e mais da inteligência aplicada à jornada de compra.
Digitalização transforma a lógica da segurança
A adoção de sistemas digitais integrados entre indústria, farmácias e pacientes vem sendo apontada como uma das principais respostas ao avanço da criminalidade. Nesse modelo, a segurança deixa de ser apenas reativa e passa a atuar de forma preventiva, com controle e rastreamento das transações.
A validação da elegibilidade do comprador, aliada ao acompanhamento em tempo real das vendas, permite identificar padrões atípicos de consumo e reduzir desvios. A criação de trilhas de dados ajuda a antecipar riscos e a limitar o acesso indevido a produtos sensíveis.
Outro efeito direto dessa mudança é a redução do estoque físico nas lojas. Com volumes menores disponíveis no ponto de venda, as farmácias diminuem a exposição ao risco e passam a operar com modelos de entrega certificada ou retirada programada em locais específicos.
Controle de benefícios reduz fraudes e perdas
A digitalização também impacta a gestão de benefícios e descontos oferecidos pela indústria farmacêutica. Sistemas unificados permitem garantir que programas de acesso cheguem apenas a pacientes elegíveis, evitando fraudes e uso indevido.
Esse controle reforça a transparência das operações e contribui para a sustentabilidade financeira do setor, ao mesmo tempo em que amplia a confiança entre farmácias, fabricantes e consumidores.
E-commerce ganha papel estratégico no setor

Nesse contexto, o comércio eletrônico deixa de ser apenas um canal de vendas e passa a integrar a estratégia de proteção dos negócios. Ao deslocar parte da jornada de compra para ambientes digitais controlados, as farmácias reduzem a circulação de produtos de alto valor nas lojas físicas e ampliam a segurança operacional.
Além disso, o e-commerce facilita o acesso do paciente a informações sobre preços, programas de benefícios e condições de compra, fortalecendo a relação com o consumidor sem expor o estabelecimento a riscos adicionais.
Mudança cultural redefine o futuro das farmácias

Para especialistas, a transição para o Varejo 4.0 vai além da adoção de novas tecnologias. Trata-se de uma mudança cultural no setor farmacêutico, que passa a enxergar os dados como elemento central da segurança e da eficiência operacional.
Cristiano Miranda Silva resume o movimento ao afirmar que a proteção das farmácias está cada vez menos associada a estruturas visíveis e cada vez mais à capacidade de análise e integração de informações. O objetivo, segundo ele, é permitir que esses espaços recuperem sua essência de cuidado, utilizando inteligência digital para enfrentar o crime organizado e garantir o acesso seguro a medicamentos de alto custo.