Aliança entre facções criminosas

PCC e CV confirmam aliança, com pedidos de transferência de detentos e convites a outras facções para cessar-fogo. Autoridades monitoram mudanças no crime.

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

A confirmação de uma aliança entre as duas principais facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), foi recebida com atenção pelas autoridades de segurança pública do Rio de Janeiro. As informações foram validadas pelas Secretarias de Segurança Pública e Administração Penitenciária, que monitoram atentamente os desdobramentos dessa união.

Recentemente, um pedido de transferência foi protocolado por 37 detentos do PCC para instituições prisionais onde estão encarcerados membros do CV, o que indica um movimento em direção à colaboração entre os grupos. Essa informação foi confirmada na quarta-feira, 26, após semanas de investigações e coleta de dados pela inteligência das referidas secretarias.

Desde o dia 11 deste mês, diversas mensagens circulam nas redes sociais convocando um cessar-fogo entre as facções, que há anos se enfrentam em disputas violentas. As comunicações incluem declarações de lamento pelas vidas perdidas e manifestam o desejo de pôr fim ao conflito. Uma dessas circulares, datada de 25 de fevereiro de 2025, destaca: “O crime fortalece o crime”, indicando uma nova abordagem em busca da paz.

O comunicado exalta a importância da vida e conclama outras facções a se juntarem a esse movimento pacífico: “Deixamos a prerrogativa para outras organizações de que estamos abertos ao diálogo… lutaremos de mãos dadas por um só ideal”.

A possibilidade de uma aliança foi levantada anteriormente em uma reportagem da rede Globo, onde um relatório da Secretaria Nacional de Políticas Penais alertava sobre ações coordenadas entre os grupos visando a redução das restrições no sistema penitenciário nacional.

Para os especialistas em segurança pública, o pedido de transferência dos presos é um indicativo claro da reaproximação das facções após quase uma década de rivalidade acirrada, que teve início em 2016, na fronteira com o Paraguai. O assassinato do traficante Jorge Rafaat Toumani naquele ano marcou um ponto crucial nas hostilidades entre PCC e CV, resultando em uma série de conflitos violentos dentro das prisões brasileiras.

Desde então, as disputas levaram a massacres notórios nas penitenciárias da região Norte do país, onde centenas de detentos perderam suas vidas em confrontos sangrentos. Esse histórico violento atrasou consideravelmente as negociações atuais.

O Comando Vermelho expandiu suas operações nos últimos anos, formando alianças com outros grupos criminosos e aumentando sua influência fora do Rio de Janeiro. Apesar das resistências iniciais entre algumas facções locais à nova aliança, o entendimento acabou sendo aceito, criando um novo panorama no combate ao crime organizado no Brasil.

As autoridades continuarão monitorando os desenvolvimentos dessa aliança, que promete alterar significativamente a dinâmica do crime organizado no país.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 27/02/2025
  • Fonte: FERVER