Aliado de Ciro Nogueira segue na Caixa enquanto ele cobra saída do governo
Nogueira pressiona saída do PP do governo e mantém assessor de confiança
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 09/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O presidente do Partido Progressista (PP), senador Ciro Nogueira, vem se posicionando publicamente a favor da retirada de seu partido do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Simultaneamente, ele articula sua candidatura como vice do candidato da direita nas próximas eleições presidenciais. No entanto, por mais de um ano, Nogueira mantém uma relação próxima com José Trabulo Junior, que ocupa a posição de assessor da presidência da Caixa Econômica Federal.
José Trabulo Junior, oriundo do Piauí, atua como consultor do presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira, desde 25 de setembro de 2024. Ele ganhou notoriedade ao coordenar a última campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PL), uma indicação direta de Nogueira, seu amigo. Além disso, Trabulo Junior tem experiência em comunicação política, tendo sido chefe da comunicação do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), entre março e novembro de 2023, num movimento que visava fortalecer laços com o PP para as eleições municipais de 2024.
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Considerado um homem de confiança de Ciro Nogueira, Trabulo Junior também foi membro do Conselho Fiscal da Caixa Corretora e exerceu a função de diretor na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) durante o governo Bolsonaro. Fontes internas da Caixa indicam que consultores da presidência têm salários próximos a R$ 40 mil mensais.
Como ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, Ciro Nogueira tem criticado abertamente a gestão Lula e está empenhado em encontrar um candidato da direita que possa desafiá-lo nas eleições de 2026. Durante a formalização da federação entre o PP e o União Brasil — que permitirá uma atuação conjunta nas próximas eleições — Nogueira expressou seu desconforto em continuar no governo e afirmou que o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), não deveria ter assumido o cargo.
Nesta quarta-feira (8), ele reafirmou que o PP não se identifica ideologicamente com o atual governo e anunciou medidas disciplinares contra Fufuca por desobediência às diretrizes partidárias. A nomeação de Trabulo Junior para a Caixa foi revelada após um pedido baseado na Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pela reportagem em 9 de maio; a resposta foi divulgada apenas em 22 de setembro após determinação da Controladoria-Geral da União (CGU).
A Caixa Econômica Federal informou que as nomeações seguem rigorosos padrões internos e processos de governança, ressaltando que mecanismos para evitar conflitos de interesse são parte das práticas da instituição.
Para sustentar sua oposição ao governo Lula enquanto ainda detém controle sobre a Caixa, PP e União Brasil estabeleceram que os integrantes dos governos que ocupam cargos eletivos deveriam renunciar até o final de setembro — um prazo que não foi cumprido. Atualmente, a pressão recai especialmente sobre Fufuca e o ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), ambos relutantes em deixar seus postos.
Na segunda-feira (6), Fufuca reafirmou seu apoio a Lula nas próximas eleições. Da mesma forma, Sabino optou por enfrentar um processo interno de expulsão no União Brasil ao invés de se demitir do Ministério do Turismo.
Desde a nomeação de Carlos Antônio Vieira para presidir a Caixa por parte do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) no final de 2023, as principais funções dentro do banco têm sido distribuídas entre partidos ligados ao centrão e à direita, incluindo PP, União Brasil, Republicanos e PL.
A estratégia delineada por Ciro Nogueira e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, visa manter os parlamentares filiados ao PP e ao União Brasil em seus cargos enquanto preservam outras indicações feitas por políticos dos dois partidos nos ministérios e estatais.
Em entrevista, Ciro Nogueira insinuou que Bolsonaro já teria definido seu sucessor entre os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou Ratinho Jr. (PSD). Essa declaração gerou reações no meio bolsonarista, com críticos questionando a legitimidade das afirmações feitas por Nogueira sobre quem poderia ser o próximo candidato da direita.
Ciro concluiu destacando a urgência da unidade na direita para evitar uma nova derrota eleitoral: “Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha novamente. Apesar das divergências existentes, não podemos servir como cabo eleitoral para Lula e seus aliados”.