Alesp debate violência escolar com famílias de vítimas

Audiência pública reúne estudantes, familiares e especialistas para avaliar a eficiência de políticas de proteção nas escolas paulistas.

Crédito: Patricia Domingos

A Alesp sediou nesta quinta-feira (9) uma audiência pública focada no enfrentamento do bullying e da agressão no ambiente educacional. O encontro marcou o Dia Nacional de Combate à Violência na Escola e reuniu famílias afetadas diretamente pelo problema. A deputada Solange Freitas organizou a iniciativa para ouvir a comunidade e buscar soluções práticas.

Crianças e adolescentes dão alertas diários de socorro dentro das instituições de ensino. O poder público precisa estender a mão para conter a escalada de ataques entre alunos.

Alesp ouve relatos de sobreviventes e familiares

Gustavo Simoneto e sua mãe, Nataly Gomes, dividiram o palco para expor uma história de dor e superação. O estudante sofreu um ataque com arma branca em 2024 dentro do colégio. Ele passou 36 dias internado e ainda carrega sequelas físicas graves do episódio.

Para a medicina, já falaram para nós que ele não estaria aqui, que estaria com muitas sequelas. Mas ele está aqui, e tenho certeza que vai conquistar o que almeja.” desabafou Nataly.

O plenário fez um minuto de silêncio para lembrar adolescentes que perderam a vida em decorrência de agressões de colegas. Os nomes de Melissa Campos, Carlinhos Teixeira e Alícia Valentina ganharam destaque na homenagem póstuma.

Avaliação de políticas públicas de proteção

O Governo de São Paulo lançou o Conviva SP no ano passado para tentar frear as estatísticas. A estratégia busca transformar as instituições estaduais em ambientes seguros, solidários e colaborativos. Daniele Quirino coordena o projeto e detalhou as frentes de ação da Secretaria de Educação.

O programa atua sobre quatro pilares principais de prevenção:

  • Apoio psicológico direcionado aos alunos
  • Treinamento para educadores lidarem com conflitos
  • Operação de um canal exclusivo para denúncias
  • Produção de webséries com conteúdo informativo

A coordenação reconhece as lacunas que ainda impedem impactos mais profundos nas unidades de ensino. O trabalho de conscientização exige um esforço contínuo de toda a sociedade.

O conflito faz parte da existência humana. O que a gente não pode deixar é que ele se transforme em confronto e gere violência. E isso depende de todos nós.” ressaltou Daniele.

Projetos estudantis ganham espaço na Alesp

Escolas engajadas na cultura de paz apresentaram iniciativas práticas durante o evento. Alunos do ensino fundamental I da Escola Hugo Penteado Teixeira, de Campinas, realizaram uma performance artística ligada ao projeto educacional focado em empatia e respeito.

O grêmio da Escola Dr. Elias Massud, de Monte Mor, demonstrou como a união estudantil transforma o clima nos corredores. A aluna Alana Lino explicou as ações do grupo para acolher os colegas de forma efetiva. A construção de um espaço seguro exige o enfrentamento dos atritos através do diálogo e da escuta qualificada.

A plataforma de debates proporcionada pela Alesp reflete a urgência de uma mobilização intersetorial. Educadores, legisladores e comunidade precisam agir rápido para garantir que as escolas cumpram sua função cidadã longe de qualquer tipo de ameaça.

  • Publicado: 10/04/2026 12:20
  • Alterado: 10/04/2026 12:20
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Alesp