Alesp autoriza concessão do sistema de travessia por balsas de SP
Parlamento aprovou projeto de lei de autoria do Executivo que engloba 14 travessias espalhadas por cinco diferentes regiões do estado; texto aprovado por 62 votos a 16 segue para sanção
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 16/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou, em Sessão Extraordinária realizada nesta terça-feira (15), o projeto de lei que autoriza a concessão, por meio de parceria público-privada (PPP), do Sistema de Travessias Hídricas do estado. A proposta foi tema de audiência pública na Casa e foi aprovada com 62 votos favoráveis a 16 contrários.
O sistema de travessias é composto por balsas e embarcações que atuam no transporte de passageiros e veículos. O Projeto de Lei 164/2025, aprovado nesta noite, permite a concessão de 14 diferentes travessias distribuídas em cinco regiões do estado. Entre elas, estão passagens amplamente utilizadas pela população, como Santos-Vicente de Carvalho, Santos-Guarujá e São Sebastião-Ilhabela, além de rotas fundamentais para comunidades isoladas, como Cananéia-Ariri e Porto Natividade da Serra. Também há previsão de serviços na Região Metropolitana de São Paulo e no reservatório de Paraibuna.
De acordo com o Governo, a concessão permitirá investimento de R$ 1,05 bilhão ao longo do contrato, permitindo a aquisição de 48 novas embarcações com motorização elétrica e melhorias na infraestrutura dos terminais existentes. O objetivo é tornar o sistema de travessias mais moderno e eficiente para a população paulista.
O modelo de concessão deve manter a política tarifária atual, sem previsão de reajuste nos valores cobrados e com a manutenção das gratuidades existentes. Para isso, o Estado vai arcar com cerca de 80% da remuneração da futura concessionária, com os outros 20% cobertos pela arrecadação com tarifas.
Debate
O projeto de concessão foi tema de uma audiência pública promovida pela Alesp com a participação da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende. Durante a reunião com parlamentares e usuários, a secretária frisou que a PPP permitirá a melhoria e a modernização do transporte aquaviário paulista. Além disso, garantiu que o sistema deve manter as gratuidades das tarifas já em vigor.
A bancada do Partido dos Trabalhadores foi autora de quatro emendas ao projeto, que não foram acatadas pelo relator, deputado Carlos Cezar (PL), e de uma emenda de Plenário que condicionava a aprovação do projeto a mais estudos de impacto sobre a privatização, mas que também foi rejeitada em votação.
Durante as sessões de debate, os parlamentares contrários à proposta cobraram a apresentação dos estudos técnicos sobre impacto financeiro da concessão. “Em um projeto dessa magnitude, até para respaldo da população, há a necessidade de que as intenções do Governo sejam incorporadas no texto da propositura, de forma a firmar compromissos perenes”, afirmou o deputado Reis (PT).
“Queremos que o Estado olhe para a população que usa as balsas e se comprometa de que não vai cobrar novas tarifas e nem mexer no meio ambiente”, disse a deputada Ediane Maria (Psol).
O modelo de concessão do sistema de balsas foi outro ponto criticado por parte dos parlamentares. “A proposta busca conceder [as travessias] à iniciativa privada por meio da concessão patrocinada, ou seja, o Governo vai pagar para o particular fazer o trabalho”, disse Reis.
O deputado Paulo Mansur (PL), por sua vez, parabenizou a iniciativa do Governo Estadual. De acordo com o parlamentar, o sistema de balsas carece de investimentos. “Para as pessoas que moram na Baixada Santista, é muito difícil já não ter perdido um compromisso por conta da fila da balsa. A gente precisa de uma balsa de qualidade para os paulistas.”
“A modernização da frota e, principalmente, a construção de estruturas nos portos é muito importante com a colaboração da iniciativa privada”, disse o deputado Ortiz Junior (Cidadania), que também foi favorável à proposta. “Precisamos desse aporte privado. O Estado não tem que explorar ou operar a balsas no transporte público de passageiros. Esta é uma decisão acertada”, defendeu o parlamentar. O projeto segue agora para sanção do Executivo.