Estudo revela que o alcoolismo é um problema crescente no Brasil
Estudo revela preocupantes dados sobre o consumo entre homens e idosos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 26/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um levantamento nacional recente revela que o alcoolismo, também conhecido como transtorno por uso de álcool, representa uma preocupação crescente no Brasil, principalmente entre a população masculina e indivíduos acima de 55 anos. O estudo destaca que esse transtorno é responsável por 10,5% das mortes relacionadas ao consumo de álcool no país, resultando em aproximadamente 21 fatalidades diárias.
A pesquisa foi apresentada na sétima edição do anuário “Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025”, elaborado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), utilizando dados do Datasus e do IBGE. Entre 2022 e 2023, o número de internações decorrentes do alcoolismo aumentou em 2,8%, com quatro pessoas sendo hospitalizadas a cada hora em decorrência dessa condição.
O estudo revela que onze estados brasileiros têm taxas de mortalidade por alcoolismo superiores à média nacional de 3,6 mortes por 100 mil habitantes. Os estados com as taxas mais elevadas incluem Piauí, Bahia, Espírito Santo e Tocantins.
Na análise das internações por 100 mil habitantes, observa-se que oito estados ultrapassam a média nacional de 19,3. O Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina se destacam como os líderes nesse aspecto.
Curiosamente, entre 2022 e 2023, foi registrada uma redução de 9,2% no número de óbitos relacionados ao alcoolismo. Este é o segundo ano consecutivo de queda após um aumento significativo durante a pandemia da COVID-19. Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA, menciona que embora os números ainda não tenham retornado aos níveis pré-pandemia, há progresso nesse sentido.
Destaques da pesquisa indicam que os homens representam uma grande parte das vítimas do alcoolismo (90,9%), com um aumento de 10,1% nas mortes entre este grupo desde 2010. Por outro lado, o número de óbitos entre mulheres diminuiu em 2,5% no mesmo período. A faixa etária mais afetada pelas mortes está acima dos 55 anos, correspondendo a 51,3% das fatalidades.
No que tange às internações por transtorno por uso de álcool, o estudo evidencia um crescimento contínuo. Em comparação aos dados de 2010, observa-se um aumento na proporção de mulheres hospitalizadas por essa razão; em 2023, elas representaram 13,6% das internações, um aumento em relação aos 9,9% registrados em 2010. Além disso, pessoas com idades entre 35 e 54 anos constituem a maior parte dos internados (57,4%).
A doutora em sociologia e coordenadora do CISA, Mariana Thibes, sugere que a queda nos óbitos pode estar relacionada a melhorias no acesso à saúde pública, diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes. Essas intervenções podem contribuir para impedir a progressão da doença até estágios fatais.
Thibes também aponta que o uso nocivo do álcool pode resultar em efeitos variados ao longo do tempo: acidentes de trânsito e confrontos são exemplos de consequências imediatas que afetam mais frequentemente indivíduos jovens. Em contrapartida, os efeitos crônicos surgem após anos de consumo excessivo e tendem a manifestar-se em idades mais avançadas. A presença de comorbidades como hipertensão e diabetes também é comum nessa faixa etária e pode agravar as condições relacionadas ao alcoolismo.
A especialista ressalta que o álcool muitas vezes é mal utilizado como uma solução para problemas pessoais quando as pessoas não recebem apoio adequado. Esse comportamento pode ser observado em indivíduos de todas as idades.