Alckmin sobre tarifaço: “Negociação avança, tema não está encerrado”
Vice-presidente afirma que governo prepara medidas para setores afetados e que tarifa dos EUA ainda será discutida
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 31/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quinta-feira (31) que o governo brasileiro está em estágio avançado na elaboração de um plano de suporte para os setores econômicos impactados pela nova tarifa imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Alckmin revelou que as negociações estão entrando em uma fase decisiva.
“Os 35,9% das exportações que foram efetivamente atingidos por essa tarifa representam uma área em que lutaremos para reduzir os impactos. Este assunto não está encerrado e estamos intensificando as negociações”, destacou Alckmin durante entrevista ao programa matinal Mais Você.
Na última quarta-feira (30), Trump formalizou um decreto que estabelece uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, com exceção de quase 700 itens, incluindo suco e polpa de laranja, certos minérios e equipamentos tecnológicos.
Alckmin afirmou que o plano, já quase finalizado, tem como foco a preservação de empregos e a manutenção da produção nacional. “Com o aumento da tarifa anunciado ontem, o presidente Lula tomará a decisão final, visto que isso acarreta repercussões financeiras e tributárias”, acrescentou.
Os dados mencionados por Alckmin sobre as exportações afetadas são oriundos de um estudo elaborado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), do qual ele é ministro. O levantamento aponta que 44,6% das exportações ficaram isentas da nova tarifa (incluindo aeronaves e sucos), enquanto 19,5% estão sob a seção 232, que já aplica uma sobretaxa de 50% sobre os setores de aço e alumínio desde junho.
Em relação à inflação, o vice-presidente expressou otimismo quanto à possibilidade de redução mesmo diante do aumento das tarifas. Ele destacou fatores como a valorização do dólar e uma safra abundante que podem contribuir para a diminuição dos preços dos alimentos. “Uma grande safra é benéfica para baixar os preços. É essencial monitorar o dólar para evitar uma escalada da crise que possa refletir rapidamente na inflação”, explicou.
A nova tarifa começará a ser aplicada na próxima semana, substituindo a taxa anterior de 10% já estabelecida por Trump para diversos países, incluindo o Brasil.
Desde o início das discussões sobre as tarifas, Alckmin tem atuado como representante do Brasil nas negociações com os EUA. Paralelamente à sua função no Mdic, ele tem se reunido com empresários e representantes dos setores industrial, agronegócio e tecnologia para discutir os efeitos da medida americana na economia brasileira.
Após cada reunião, Alckmin realiza coletivas de imprensa quase diariamente para relatar os resultados das conversas com os representantes setoriais.
A escolha de Alckmin por se dirigir a um programa matinal visa estabelecer um contato mais amplo com o público, utilizando uma linguagem acessível sobre o tema.
Durante a entrevista, o vice-presidente optou por não revelar detalhes específicos das medidas planejadas para mitigar os impactos da tarifa ou do contingenciamento e respondeu a perguntas do público enquanto participava do quadro tradicional conduzido pela apresentadora Ana Maria Braga.
O governo brasileiro vem buscando diálogo com os Estados Unidos há meses, tendo enviado duas cartas oficiais ao país sem obter respostas até o momento.
O principal interlocutor americano tem sido o secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Alckmin reiterou a disposição do governo brasileiro em negociar alternativas para evitar as sobretaxas.
Na carta em que antecipou a implementação da nova tarifa de 50%, Trump justificou sua decisão alegando perseguições judiciais enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Brasil. Contudo, tanto Lula quanto sua equipe deixaram claro que decisões judiciais e questões políticas internas não estão sujeitas a negociações e condenaram a politização nas relações econômicas promovida pela administração americana.