Tarifaço dos EUA dá força a Alckmin como vice de Lula em 2026

Governo articula candidaturas para conter bolsonarismo e consolidar reeleição de Lula

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O papel de Geraldo Alckmin (PSB) na resposta ao aumento tarifário aplicado a produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem sido visto como uma estratégia que fortalece sua posição como vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026.

A avaliação é compartilhada por membros do governo Lula e por aliados de Alckmin, embora a sua função como vice esteja envolta em disputas internas. Enquanto alguns setores do Partido dos Trabalhadores (PT) defendem que ele concorra a uma vaga no Senado ou ao governo de São Paulo em 2026, o PSB parece inclinado a mantê-lo na vice-presidência.

Fontes próximas a Alckmin indicam que ele não tem interesse em abandonar o cargo atual, acreditando ter conquistado a confiança de Lula para permanecer nessa posição. Até o momento, no entanto, o presidente não estabeleceu um diálogo conclusivo sobre o futuro político de seu vice ou com dirigentes do PSB.

Além disso, assessores de Alckmin enfatizam que entre os partidos aliados, o PSB é o único que demonstrou total clareza em seu apoio à candidatura de Lula em 2026, enquanto outras legendas enfrentam divisões internas que exigem deliberações.

Essas discussões fazem parte de uma articulação mais ampla sobre as candidaturas que Lula poderá apresentar nos estados. A expectativa é que vários ministros concorram a cargos no Senado ou na governança estadual, como uma estratégia do lulismo para conter o crescimento do bolsonarismo no Senado e impulsionar a reeleição do petista.

Durante a convenção nacional do PSB em junho, onde foi oficializada a presidência de João Campos, prefeito de Recife, Lula destacou a relevância das eleições para o Senado em 2026. “Precisamos garantir a maioria no Senado; caso contrário, esses indivíduos podem comprometer a Suprema Corte. A preservação das instituições democráticas é crucial para o nosso país”, afirmou.

O presidente também fez um aceno ao PSB durante o evento, reforçando que sempre manteve uma boa relação com o partido: “Nós sempre governamos juntos. Nunca houve problemas entre nós, mesmo nas divergências. Após as eleições, sempre encontramos um caminho comum”.

Por outro lado, há quem argumente no círculo próximo a Lula que seria estratégico abrir espaço na vice-presidência para um partido de centro, uma vez que o PSB já se alinharia com Lula nas próximas eleições. Essa abordagem visa atrair outros partidos para a coalizão.

No intuito de fortalecer a campanha lulista nos estados, os petistas planejam candidaturas de ministros aliados e reconhecem que alguns nomes podem precisar sacrificar suas chances eleitorais em prol da estratégia maior do partido.

Ainda não há uma estrutura definida para essas discussões dentro do PT. As deliberações devem avançar com a posse do novo presidente do PT, Edinho Silva, marcada para domingo (3).

São Paulo se destaca como um dos estados mais estratégicos devido ao seu status como maior colégio eleitoral do país, contando com 34 milhões de eleitores.

A avaliação entre os governistas indica que existe potencial para uma candidatura forte ao governo paulista e para garantir uma das duas vagas disponíveis no Senado se os candidatos forem Alckmin e Fernando Haddad (PT), embora ambos mostrem-se reticentes quanto à ideia.

Fernando Haddad – Diego Campos / Secom / PR

Outra figura cogitada para concorrer ao Senado por São Paulo é Simone Tebet (MDB), embora ela enfrente dificuldades devido à sua trajetória política em Mato Grosso do Sul e à resistência em mudar-se para outro estado.

Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo, aparece como um candidato viável ao governo paulista. Além disso, há discussões sobre oferecer uma vaga no Senado ao deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Em Minas Gerais, especula-se que Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia, possa ser um candidato ao Senado. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) é apontado como provável candidato ao governo. Além disso, petistas mineiros tentam persuadir Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e atualmente sem partido, a integrar uma chapa lulista.

Na Bahia, Rui Costa (Casa Civil) é outro nome forte entre os ministros que deve disputar as próximas eleições. O PT possui grande influência no estado e poderá lançar uma chapa composta majoritariamente por seus integrantes: Rui Costa, Jaques Wagner para reeleição ao Senado e Jerônimo Rodrigues para o governo.

No cenário pernambucano, Humberto Costa (PT) já ocupa uma das vagas ao Senado. A outra disputa envolve Silvio Costa Filho (Republicanos), Miguel Bezerra Coelho (MDB) – filho do ex-líder Jair Bolsonaro e Dilma Rousseff no Senado – e Marília Arraes (Solidariedade).

No entorno de Lula há defensores da ideia de que ambas as vagas senatórias em Pernambuco sejam preenchidas por partidos aliados. O prefeito João Campos deve ser o candidato a governador dessa aliança.

Os ministros Carlos Fávaro (PSD) e Waldez Góes (PDT) também estão sendo considerados para candidaturas ao Senado por Mato Grosso e Amapá, respectivamente.

Renan Filho (MDB), ministro dos Transportes, está se preparando para concorrer ao Governo de Alagoas. Essa decisão reflete a dinâmica política local e serve como estratégia para manter coesa sua base política. Ele já possui mandato como senador e foi governador anteriormente.

Setores dentro do PT têm manifestado interesse pela candidatura da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ao Senado pelo Paraná. Contudo, essa proposta poderia ser considerada um “sacrifício político“, dado que Gleisi tem alta probabilidade de reeleição como deputada federal e enfrentaria desafios significativos na disputa senatorial em um estado predominantemente bolsonarista.

No atual panorama político, é improvável que Gleisi busque uma vaga no Senado sem um apelo direto por parte de Lula. Até agora, o presidente não tomou iniciativas nesse sentido.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/08/2025
  • Fonte: Sorria!,