Akira Auriani e Jorge Lima apresentam rumos para Rio Grande da Serra

Prefeito da cidade e o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo apresentaram os possíveis rumos que o município do ABC pode seguir para seu desenvolvimento, entre outros temas

Crédito: Celso Rodrigues/ABCdoABC

O prefeito de Rio Grande da Serra, Akira Auriani (PSB), foi o anfitrião da reunião com o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, para sugerir os rumos da cidade, como sua vocação, polo industrial e outros temas.

Quem participou?

A reunião contou com a presença de representantes de entidades, como Sebrae e Etec, empresários do município, secretários municipais, vereadores e da deputada estadual, Ana Carolina Serra (Cidadania), que destacou o trabalho em conjunto para o desenvolvimento local e regional.

Parceria

Foto: Celso Rodrigues/ABCdoABC

“Essa parceria é importantíssima para o desenvolvimento não só de Rio Grande da Serra, mas de toda a região do Grande ABC. Esse trabalho do serviço público em apoio com a iniciativa privada e também com o Governo do Estado é algo que a gente sempre defendeu, para que tenha um desenvolvimento econômico e social, acima de tudo sustentável, ressaltou ela.

O chefe do Executivo reconhece o instinto turístico da cidade, mas ressaltou que é possível atrair empresas na área da indústria.

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“Nós temos esse compromisso de criar uma identidade para a cidade. A vocação, nós sabemos o quanto que o potencial turístico é um diferencial que o Rio Grande tem para poder falar do crescimento. Mas não podemos deixar de ter um olhar que é a questão da indústria, que traz o valor agregado do emprego, crescimento, que gera a economia circular dentro da cidade. Hoje nós temos esse foco do turismo. Mas com um olhar também na indústria para que a gente possa potencializar a cidade”, projetou Auriani.

Jorge Lima observou que não é porque a cidade tem um apelo turístico, com suas áreas de mananciais, que outros aspectos não possam ser explorados, mas ponderou ao comentar que deve ser pensado de forma estratégica.

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“Não, se a gente souber fazer. Pode ter um tipo de indústria preocupada com o manancial. A gente acredita muito, tem o potencial de uma cidade bem colada, no ABC, 50 quilômetros de São Paulo. Eu não acho que esse é o problema. E, por ser manancial também, a gente tem que saber como explorar esse potencial, porque tem que ter uma forma turística de aproveitar isso também”, sugeriu ele.

Lima apontou alguns problemas que enxerga quando se fala em empreender, pois é preciso atender à demanda de mercado e não a vontade própria e ofereceu uma possível solução indicando o Velho Continente.

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“Nós temos que copiar de novo o modelo europeu. Ele não planta o que ele quer, ele planta o que vai vender. Eu falo que o maior erro que a gente comete é querer vender o produto. Você não vende o que você quer, você vende para os outros que querem comprar. Então, você tem que ter comprador, explicou o secretário.

Jorge é crítico ao formato de startups brasileiras, pois entende que a metodologia é equivocada, e justifica ao dizer que todos os parques tecnológicos que conhece no mundo, a startup nasceu de uma demanda e que, aqui, a startup é criada para achar um comprador.

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Lima sugeriu que antes de abrir um negócio é preciso questionar o que estão comprando no supermercado, fora do seu raio, e fornecer aquilo que está faltando, pois o modelo americano é assim e na Europa também e propôs a criação de cooperativas.

Segundo o secretário, a proximidade com os aeroportos facilita o escoamento da produção e que qualquer negócio que se produza, a logística é primeiro, segundo e terceiro custo, além de aconselhar sobre o paisagismo da cidade, propondo que onde haja comunidades que sejam pintadas em várias cores para se tornar um ambiente atrativo ao turista, e assim é possível criar mecanismos de geração de renda e emprego dentro dos próprios locais.

Outro ponto destacado por Jorge é usufruir de toda a estrutura da região e suas festividades para criar rotas, fazendo com o que turista aproveite ao máximo a região em uma única visita, não privilegiando uma cidade ou outra, mas trabalhando em conjunto com rotas que dialoguem com os eventos, com a produção local e com o que o ABC tem a oferecer aos visitantes.

Ana Carolina sabe do potencial da cidade, que está 100% inserida em área de manancial, e apontou os possíveis caminhos, como a qualificação.

“A gente tem uma cidade com muitos atrativos, ecoturismo, de acordo com a Agenda 2030, mas que acima de tudo também pensa no trabalho de transformação. A Etec tem esse poder de transformação, de desenvolvimento profissional, de capacitação das pessoas que são a mão de obra desse lugar e do qual o Rio Grande da Serra precisa muito, que é reter a mão de obra qualificada para atrair grandes investimentos, pontua a deputada.

Que entende que é preciso cuidar da vocação das pessoas de acordo com a vocação da cidade, com foco na geração de emprego e renda de forma rápida.

Eloquente, Jorge Lima disse que é preciso modificar o jeito de capacitação.

“A gente precisa voltar a Etec para a vocação da cidade, não é o que quero ensinar, é o que a cidade precisa. Então, isso é um trabalho que a gente está fazendo. Que é transformar as Etecs num lugar de capacitação de mão de obra, entendendo a vocação da cidade ou da região, percebe o secretário.

Em sua metodologia de trabalho, Jorge Lima fala em prazo, e determinar data para que o projeto seja viável.

“Eu financio o que vocês quiserem. Mas, preciso saber o que vocês querem. Plano, para mim, é sonho, se não tiver data. Um plano existe quando tem data, garante ele.

Em outro ponto de sua palestra, Lima pontuou o turismo e seus problemas.

O turismo e seus percalços

“Primeiro é cooperativar, segundo é a gente achar esse mercado e financiar tudo. E eu financio todo mundo que quiser instalar. E aí você precisa de um distrito industrial. E o turismo. Minha pergunta é o que a gente não tem de turismo no Brasil?“, questiona-se, e responde:

“Nós temos tudo, turismo cultural, religioso, praias. A vantagem nossa se chama São Paulo. A gente roda 49 milhões de pessoas internamente para 44 milhões de visitantes. Turismo é negócio, é indústria, tem vários países que só vivem disso. Se eu tenho um lugar, eu tenho que fazer o turista rodar. Por isso eu estou criando rotas. Rota do café, do vinho”, comentou o secretário.

Lima afirmou que é preciso pensar em uma cadeia produtiva completa, desde as pequenas e médias empresas, que podem ser integradas a todo sistema produtivo, movimentando todo o ciclo de produção, desde a elaboração do produto, passando pela fabricação, embalagens até o consumidor.

“Vou gerando comércio e serviço no entorno, que é aumentar a renda. É isso que nós estamos fazendo na cidade de São Paulo. Por isso, que defendo a pequena e média empresas, e atacar o comércio. Essa é uma das soluções. Tem que aumentar a sua área de atuação, uma das alternativas é essa”, propõe Lima.

Tarifaço Americano

Sobre o tarifaço dos Estados Unidos, Jorge apresentou números, mas disse que esse tema deve ser tratado com cautela.

“O Estado de São Paulo, hoje, somos 33,2% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, que sai do Estado de São Paulo. Então, o impacto é grande. A gente está muito olhando a cadeia final, tem que olhar a cadeia inteira, cadeia de máquina, de fertilizantes, e o impacto é muito grande. É uma coisa que está nos preocupando bastante, mas é uma negociação que passa pelo governo Federal, comentou ele.

Que avisou que foi lançada uma linha de crédito, nesta terça-feira (22), no valor de R$ 300 milhões, que o governador Tarcísio de Freitas anunciou.

E, segundo ele, “o Brasil é 6% da economia deles, EUA, e eles – EUA – é a segunda economia nossa. Então tem que ter muita calma, muito diálogo, tem que ter muita paciência, afastar a questão política, tratar com a questão econômica, porque o impacto no Estado de São Paulo é muito forte. A gente tem que abrir diálogo, porque o tempo está passando, hoje é 23 de agosto, tem mais sete ou oito dias. Não é fácil substituir toda cadeia. Depois que você tem uma crise na empresa, primeiro resolve, depois vai voltar e fazer uma análise”, aconselha o secretário.

Por fim, Jorge Lima pediu para que as pessoas acessem o www.trampolim.sp.gov.br e explicou o por quê.

“É o maior site de qualificação e empregabilidade que nós estamos fazendo, precisamos muito da participação, tanto de quem gera a vaga, como das pessoas que se interessam em se qualificar. Esse é um site feito para isso. Eu preciso ver a vaga, eu preciso ver a qualificação e as pessoas entrarem. É muito importante para a questão da empregabilidade do Estado de São Paulo”, pediu Jorge.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 23/07/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA