Ajuste implicará em ‘brutal represamento dos investimentos’, diz Velloso

O ajuste das contas públicas vai ser feito em duas frentes. De um lado, as despesas obrigatórias não vão subir e, de outro, haverá "um represamento brutal dos investimentos".

Ajuste implicará em ‘brutal represamento dos investimentos’, diz Velloso

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A perspectiva é traçada pelo consultor especializado em contas públicas, Raul Velloso, com base na avaliação da política fiscal adotada em 2003, no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, o atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, era secretário do Tesouro Nacional e participou da confecção da estratégia de contenção de gastos.

Para relembrar: o ajuste de 2003 foi histórico. Os gastos totais do governo, em proporção ao PIB, ficaram em 15,1% – 6 pontos porcentuais a menos do que o desembolsado em 2002. A economia foi sustentada principalmente pelo represamento dos investimentos. Em 2002, os investimentos equivaliam a 0,8% do PIB. Em 2003, haviam caído para apenas 0,3%. “Foi o menor valor da história até onde os dados sobre investimento são conhecidos”, diz Velloso. Os gastos tiveram um bom aumento de lá para cá. Equivaliam a 19% do PIB em 2013.

Pelas estimativas de Velloso, subiram para 19,8% no ano passado. Ele estimou o gasto em 2014 porque o resultado oficial ainda não saiu. Costuma ser divulgado no final de janeiro. A participação do investimento também é maior. Em 2013, equivalia a 1% do PIB e tende a ter encerrado o ano passado em 1,2% do PIB, pelos cálculos de Velloso. Observando o que foi feito em 2003, ele acredita que é nesse item que vão se concentrar os esforços da nova equipe econômica. “Podem cortar pela metade os investimentos”, diz. Em valores financeiros, seria possível poupar ao menos R$ 30 bilhões – quase metade dos R$ 66 bilhões que precisam ser economizados para que a gestão de Levy cumpra a meta que propôs de superávit primário (economia feita para o pagamento de juros da dívida).

Segundo Velloso, o corte de outro 0,3% nos gastos já foi garantido com a Medida Provisória que, na última semana de dezembro, lançou regras que dificultam a liberação de seguro-desemprego, abono salarial e pensão por morte. Também será possível melhorar o perfil dos gastos adotando uma estratégia já conhecida: postergar o pagamento das chamadas “outras despesas”, que incluem gastos para cobrir subsídios, despesas de órgãos públicos e programas, como assentamentos. “O outro desafio será conter aumentos em gastos obrigatórios”, diz Velloso. Nesse item estão os desembolsos com previdência, saúde e folha de pagamento. “Em 2003, não foi possível, mas agora há espaço.”

  • Publicado: 09/01/2015 08:08
  • Alterado: 16/08/2023 16:48
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo