Agudos tem 13 denunciados em esquema de corrupção

Em Agudos, Operação Raio-x revela desvio de verbas da saúde, envolvendo ex-prefeito e vereadores

Crédito: Reprodução

A corrupção em Agudos, cidade do interior de São Paulo, atinge um novo patamar de gravidade com a formalização de denúncias contra treze indivíduos pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Os acusados são peças-chave em um sofisticado esquema de desvio de verbas públicas da saúde e manipulação política local, conforme revelado pela investigação batizada de “Operação Wotan“.

Com desdobramentos de uma ação que teve início em Araçatuba e foi ampliada pela Polícia Civil de Bauru – a “Operação Raio-x” –, as diligências do MPSP, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Agudos, apontam para a formação de uma associação criminosa. O foco central do grupo era o desvio de recursos cruciais, destinados especificamente ao combate à pandemia da Covid-19, totalizando milhões que deveriam ter sido aplicados em benefício da população.

O círculo da fraude e as acusações de suborno em Agudos

Prefeito de Agudos, Altair Francisco da Silva (PRB) tem mandato cassado pela Câmara - Divulgação/Prefeitura de Agudos
Prefeito de Agudos, Altair Francisco da Silva (PRB) tem mandato cassado pela Câmara – Divulgação/Prefeitura de Agudos

As denúncias do MPSP detalham que a estrutura criminosa, supostamente liderada por um médico, envolvia diversas figuras públicas e administrativas, incluindo vereadores, um gerente administrativo de uma Organização Social de Saúde (OSS) e um servidor público municipal. A atuação do grupo ia além do mero desvio de dinheiro, configurando uma complexa teia de manipulação política.

De acordo com a investigação, a articulação da corrupção em Agudos começou muito antes do auge da pandemia, com tentativas de suborno a vereadores que datam de junho de 2019. O objetivo explícito era garantir votos favoráveis à cassação do mandato do então prefeito, Altair Francisco da Silva (PRB), que se tornou ex-prefeito após a ação da Câmara Municipal.

Os treze denunciados enfrentarão acusações sérias que incluem:

  • Associação Criminosa: pela união estável e duradoura para a prática de crimes.
  • Corrupção Ativa e Passiva: pela compra e venda de apoio e votos no Poder Legislativo.
  • Lavagem de Dinheiro: pela tentativa de ocultar a origem ilícita dos valores desviados através de manobras financeiras, como aquisição de bens em nome de terceiros e a criação de empresas fantasmas.

A Operação Wotan trouxe à tona a face mais perversa da Corrupção em Agudos, na qual a busca por poder e lucro superou a ética pública, especialmente em um momento de crise sanitária mundial. O MPSP ressalta a gravidade de utilizar verbas de emergência da saúde para fins ilícitos.

Coação de testemunha e o impacto político na cidade de Agudos

Como as denúncias de corrupção na cidade de Agudos impacta a política local? Divulgação/Prefeitura de Agudos
Como as denúncias de corrupção na cidade de Agudos impacta a política local? Divulgação/Prefeitura de Agudos

Um dos vereadores implicados nas denúncias enfrenta acusações adicionais por crimes ainda mais graves: coação de testemunha e corrupção ativa com o propósito de obter depoimentos falsos. Tal atitude evidencia a tentativa desesperada de obstrução da Justiça e de proteção do esquema de corrupção em Agudos.

A formalização das denúncias pelo Ministério Público gerou uma resposta imediata na esfera política local. A Câmara Municipal de Agudos tomou as medidas necessárias para cassação do mandato do ex-prefeito Altair Francisco da Silva, reforçando a seriedade das acusações e o impacto da Operação Wotan na política municipal. A sociedade agora aguarda os próximos passos do Poder Judiciário diante da extensa lista de crimes apontados pelo MPSP.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 15/10/2025
  • Fonte: FERVER