AGU processa Meta para combater golpes envolvendo símbolos do governo

Plataformas são acusadas de negligência na fiscalização de anúncios fraudulentos

AGU processa Meta para combater golpes envolvendo símbolos do governo

Crédito: Shutter Speed/Unsplash

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira (28) contra a Meta,empresa responsável por Facebook, Instagram e WhatsApp, para exigir medidas mais eficazes contra o uso indevido de símbolos oficiais e imagens de autoridades públicas em anúncios falsos nas redes sociais.

Segundo a AGU, entre 10 e 21 de janeiro, foram identificadas 1.770 peças fraudulentas com o objetivo de aplicar golpes financeiros em usuários.

O levantamento que embasa a ação foi realizado pelo Netlab/UFRJ (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e revela que esses conteúdos promoveram informações falsas, como supostos valores a receber ou exigências de envio de dados bancários à Receita Federal, fatos que causaram desinformação e obrigaram o governo federal a recuar em propostas de fiscalização via Pix. Procurada, a Meta informou que não comentará o caso.

Sistema de verificação é alvo de críticas

A AGU critica a ineficiência do sistema de checagem de anúncios da Meta, que, segundo o órgão, descumpre os próprios termos de uso da empresa. A ação pede a condenação da companhia ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, valor que seria destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

A atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD/AGU) é uma resposta às demandas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) e do Ministério da Fazenda. A crise foi intensificada após o aumento de conteúdos fraudulentos que usaram inclusive deepfakes de figuras públicas, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), cujo uso indevido de imagem cresceu 234% após mudanças em regras de fiscalização do Pix.

Falhas em anúncios impulsionados

De acordo com a AGU, os golpes exploravam políticas públicas de inclusão financeira para enganar os cidadãos, oferecendo supostos saques de valores mediante o pagamento de uma taxa. Mesmo após alertas, muitos desses anúncios continuavam ativos em abril.

Os documentos apontam que os materiais fraudulentos apresentavam características grosseiras, como erros gráficos, menções a programas inexistentes e o uso de inteligência artificial, que poderiam ter sido facilmente detectados por um sistema de verificação mais rigoroso. “Se houvesse o mínimo de zelo da empresa, esses anúncios jamais seriam publicados”, afirma trecho da ação.

  • Publicado: 28/04/2025 19:49
  • Alterado: 28/04/2025 19:49
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: AGU