Agricultor registra sagui com pelo branco em Valinhos, SP
Raridade genética revela os desafios da biodiversidade e preservação na Mata Atlântica
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 21/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Um evento singular foi registrado por um agricultor na cidade de Valinhos, São Paulo, onde um sagui-de-tufo-branco (Callithrix jacchus) com leucismo foi avistado. Essa condição genética, que resulta em uma coloração branca ou quase branca, é considerada rara e ocorre frequentemente devido a cruzamentos entre indivíduos geneticamente semelhantes.
Gabriel Facio Trombetta, de 31 anos, reside em uma chácara na região e está habituado a observar diversas espécies animais, como saruês, ouriços e várias aves. No entanto, no dia 15 de janeiro, durante uma visita à cidade para adquirir produtos agrícolas, ele teve a surpresa de encontrar um sagui leucístico em uma árvore.
Intrigado pela aparência incomum do animal, Gabriel decidiu registrar o momento em vídeo. Embora o sagui estivesse acompanhado por outros membros da espécie, todos eles apresentavam a coloração típica. O agricultor inicialmente não reconheceu que se tratava de um indivíduo leucístico, mas suspeitava de uma alteração genética.
“Observei-o por alguns minutos até que ele se afastou e se juntou aos outros saguis”, relatou Trombetta.
Conforme explica o primatólogo Fabiano Melo, avistar saguis leucísticos é uma ocorrência incomum. Esta condição resulta de uma mutação genética conhecida como polimorfismo, geralmente causada por um gene recessivo. A alta probabilidade de surgirem mutações genéticas entre saguis se deve à sua introdução no ecossistema por meio do tráfico de animais e à posterior libertação destes em habitat natural.
A endogamia — o cruzamento entre indivíduos próximos geneticamente — pode aumentar a probabilidade de tais mutações raras em populações nativas da Mata Atlântica. Esse fator torna os saguis mais vulneráveis a manifestações genéticas incomuns, como o leucismo.
É importante distinguir leucismo de albinismo; enquanto o albinismo é caracterizado pela total ausência de melanina, resultando em pelagem e pele esbranquiçadas e olhos rosados, o leucismo afeta apenas a pigmentação da pele e dos pelos, preservando a coloração dos olhos.
Ambas as condições acarretam desafios significativos para a sobrevivência na natureza. Como ressalta o especialista Fabiano Melo, “o leucismo e o albinismo tornam os animais mais visíveis, prejudicando suas habilidades de camuflagem”. Isso significa que esses indivíduos têm uma taxa de sobrevivência muito menor devido à maior suscetibilidade à predação.
Os registros como o feito por Gabriel Trombetta são essenciais para aumentar a conscientização sobre a biodiversidade local e as implicações da genética nas populações selvagens.