Agência da ONU alerta para perigo de “pesca fantasma”

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em conjunto com a ONU Meio Ambiente, está alertando para a “pesca fantasma”

Crédito: Martine Perret/ONU

Ela ocorre quando o equipamento perdido ou abandonado por pescadores nos oceanos permanece capturando espécimes e sendo um perigo para a vida marinha. A informação é da ONU News.

Calcula-se que cerca de 10% de todo o lixo deixado no mar tenha origem em restos de material de pesca perdidos ou abandonados. No total, cerca de 640 mil toneladas deste equipamento são perdidas nos oceanos todos os anos. Além dos prejuízos para a fauna e o meio ambiente, a pesca fantasma representa uma ameaça à subsistência de milhões de pessoas que vivem da pesca em todo o mundo.

Riscos

Segundo a FAO, os “países estão desenvolvendo grandes esforços para melhorar o estoque de peixes, mas esses esforços podem ser prejudicados drasticamente se o impacto da pesca fantasma continuar a aumentar.”

Este material mata peixes e outras espécies, como baleias, golfinhos, focas e tartarugas. Também prejudica o fundo do mar e o ambiente marinho e cria problemas de navegação quando fica preso nas hélices, cascos ou lemes de embarcações. Este lixo também chega ao litoral, tornando-se um perigo para pássaros, caranguejos, tartarugas e outras espécies costeiras.

Soluções

O material de pesca acaba largado no mar por diferentes razões, incluindo mau tempo, acidentes, negligência, ou mesmo abandono por estar danificado ou não interessar mais. A FAO diz que existem várias estratégias para resolver o problema.

A agência sugere marcar o equipamento com o nome do dono para facilitar a sua recuperação. Também propõe não responsabilizar o culpado, como forma de aumentar as denúncias e a probabilidade de recuperar o material.

Combater a pesca ilegal, dar incentivos financeiros para a devolução, e usar novas tecnologias, como dispositivos de localização, são outras sugestões. A FAO também acredita que os portos devem ser equipados com equipamentos de recolha do material perdido e com locais específicos onde o material possa ser despejado.

A FAO diz que a pesca fantasma prejudica o atingimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mais especificamente o Objetivo Número 2: acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Isto porque cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo dependem da pesca ou da aquacultura para a sua subsistência, e a pesca fantasma reduz os estoques de pescado.

Segundo a agência da ONU, “com a pressão crescente que os recursos naturais enfrentam, não se pode ignorar o papel central que a vida marinha tem na segurança alimentar das comunidades e povos de todo o mundo.”

Instrumento legal

Para tentar resolver este problema da pesca fantasma, a FAO criou um tratado internacional, chamado Acordo de Medidas de Portos, que procura combater a pesca ilegal. Uma das regras do tratado pretende garantir que todo o material de pesca deve ser autorizado e assinalado com a identificação da embarcação a que pertence.

Até 16 de janeiro de 2018, o tratado já havia sido subscrito por 52 países, incluindo os lusófonos Cabo Verde, Moçambique, São Tome e Príncipe e Portugal, como parte da União Europeia.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 27/04/2018
  • Fonte: FERVER