África: bactérias tóxicas deixam água do Lago Vitória verde
Cresce a ameaça das cianobactérias no Lago Vitória: riscos à saúde e ao meio ambiente exigem atenção urgente para prevenção e manejo.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 01/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Pesquisadores alertam para o aumento das cianobactérias no Lago Vitória, um fenômeno que representa uma séria ameaça tanto à saúde pública quanto ao meio ambiente. Este problema, que já é amplamente discutido na América do Norte e Europa, tem gerado preocupações crescentes em várias regiões do mundo, especialmente em lagos tropicais.
As cianobactérias, organismos microscópicos responsáveis por tornarem a água verde em corpos hídricos estagnados, proliferam em ambientes aquáticos aquecidos e ricos em nutrientes. Essa abundância é frequentemente estimulada pela runoff de fertilizantes, esgoto e outros poluentes que se acumulam em lagos e lagoas. Quando as condições são favoráveis, essas algas formam flutuações densas conhecidas como cyanoHABs (floração de algas nocivas), que podem liberar toxinas prejudiciais à saúde de humanos e animais.
No Lago Vitória, particularmente no Golfo de Winam, a situação se agrava devido ao aumento populacional e às mudanças no uso da terra que elevam os níveis de nutrientes na água. As florações de cianobactérias se tornam mais frequentes e intensas, resultando em sérios riscos para as comunidades locais que dependem desse recurso hídrico para suas atividades diárias.
Um estudo recente conduzido por uma equipe internacional de cientistas analisou as dinâmicas das cianobactérias no Golfo de Winam. Utilizando técnicas avançadas de sequenciamento genômico, a pesquisa revelou informações cruciais sobre as espécies predominantes e suas respectivas toxinas. Tradicionalmente, estudos anteriores utilizavam microscopia, uma abordagem que não consegue diferenciar entre células tóxicas e não tóxicas.
A pesquisa identificou a Dolichospermum como a cianobactéria mais abundante durante eventos críticos de floração, desafiando a percepção anterior que considerava a Microcystis como dominante na região. Essa última é conhecida por produzir microcistina, uma toxina capaz de causar danos severos ao fígado humano e animal.
Além disso, os pesquisadores descobriram mais de 300 genes desconhecidos associados às cianobactérias, que podem levar à produção de novas moléculas com potencial tanto tóxico quanto terapêutico. Essa descoberta abre novas possibilidades para futuras pesquisas sobre as aplicações dessas substâncias.
Os dados obtidos pelo estudo oferecem uma base sólida para ações preventivas contra as florações nocivas. Autoridades locais agora têm informações cruciais para monitorar a presença dessas cianobactérias e emitir alertas quando necessário, garantindo a segurança da população ribeirinha.
Com o aumento da temperatura global e a urbanização crescente nas áreas circunvizinhas aos lagos, a proliferação das cianobactérias pode se tornar um desafio ainda maior nos próximos anos. A conscientização e o gerenciamento adequado dos nutrientes são essenciais para mitigar esse problema e explorar as potenciais aplicações benéficas desses organismos.