Afastamentos por vício em apostas crescem 441% em 2 anos
Homens de 30 a 49 anos lideram os registros de ludopatia por apostas, enquanto 42,5% dos trabalhadores afetados deixaram o emprego
- Publicado: 20/10/2026 08:50
- Alterado: 20/10/2026 08:50
- Autor: Daniela Ferreira
O número de afastamentos do trabalho concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devido ao vício em jogos e apostas (ludopatia) cresceu 441% em dois anos. Levantamento inédito do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que as concessões de auxílio por incapacidade temporária saltaram de 67 casos em 2023 para 363 registros em 2025, período subsequente à regulamentação das plataformas de apostas eletrônicas ocorrida no final de 2023.
Perfil dos beneficiários e aumento no encerramento de contratos
O levantamento elaborado pela Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho indica que os homens representam 70% dos beneficiários do auxílio por incapacidade relacionado à patologia. Quanto à faixa etária, cerca de 67% dos trabalhadores afetados têm entre 30 e 49 anos.

A pesquisa também apontou um aumento no desligamento formal de trabalhadores que necessitaram do benefício previdenciário. Em 2023, 35% dos beneficiários afastados por ludopatia tiveram seus contratos de trabalho encerrados; em 2025, essa proporção alcançou 42,5%. Quase 70% das rescisões ocorreram a pedido do próprio empregado ou por demissão sem justa causa.
A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, analisou os impactos da exposição do trabalhador ao endividamento por jogos:
“A restrição aos jogos é uma medida que busca recuperar a saúde mental dos brasileiros, em especial dos trabalhadores que, na busca de alguma ajuda financeira, terminam endividados em proporções desesperadoras”, ponderou a especialista.
Impacto financeiro e cenário regulatório recente
Identificada como transtorno mental pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a ludopatia exige perícia médica oficial do INSS para atestar a incapacidade laboral temporária durante o tratamento médico ou psiquiátrico.

Em 2025, apostadores brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões em plataformas do setor, gerando uma perda líquida estimada em R$ 36,9 bilhões para os usuários.
Tras a implementação de restrições operacionais e a suspensão das atividades de apostas no país promovida pelo Governo Federal em setembro de 2026, estimativas do setor produtivo indicam que a interrupção das operações pode liberar cerca de R$ 40 bilhões anuais no orçamento das famílias brasileiras.