Advogado afirma que ataques comprovam inocência de ex-ministro da Defesa

O advogado Andrew Fernandes disse que ataques virtuais provam que o general não participou dos atos golpistas de 2022

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A defesa do general Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa e réu no caso central da suposta tentativa de golpe de Estado, apresentou argumentos em favor da inocência de seu cliente durante sessão na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada nesta quarta-feira, 3. O advogado Andrew Fernandes destacou que ataques virtuais dirigidos ao general demonstram que ele não participou das ações golpistas em 2022.

Durante sua exposição, o advogado questionou a validade das acusações que indicam Nogueira como integrante de uma organização criminosa. “A prova dos nove da acusação é a suposta participação do general em um plano para um golpe. Em contrapartida, a evidência de sua inocência reside nos ataques que ele sofreu“, afirmou Fernandes.

Conforme a acusação, integrantes dessa organização estariam buscando afastar Nogueira do cargo de ministro da Defesa, assim como o comandante do Exército, general Freire Gomes. Na mesma audiência, os advogados dos réus envolvidos no núcleo central da trama golpista foram ouvidos pela Primeira Turma, que deve iniciar a análise das imputações penais na próxima semana, conforme previsão do relator Alexandre de Moraes.

O general Nogueira foi o único dos réus a comparecer pessoalmente à sessão de julgamento na terça-feira (2), embora não tenha estado presente na audiência seguinte. Segundo as denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Nogueira é identificado como um dos líderes militares que teriam apoiado as conspirações contra o governo Lula e pressionado outros chefes das Forças Armadas a se unirem aos planos golpistas.

Em seu depoimento ao STF, o ex-ministro expressou preocupação com possíveis ações do então presidente Jair Bolsonaro. Ele relatou que essa apreensão cresceu diante dos apelos por intervenções militares em acampamentos próximos aos quartéis e com o aumento da atividade nas redes sociais, além da pressão exercida por oficiais da ativa para que o comandante do Exército apoiasse um golpe.

Nogueira revelou que convocou uma reunião com os comandantes das Forças Armadas em 14 de dezembro de 2022 no Ministério da Defesa, temendo desunião entre os altos escalões militares. “Eu queria preservar a coesão e a disciplina entre os três comandantes”, disse ele.

No dia seguinte à reunião com os comandantes militares, Nogueira se encontrou com Bolsonaro para assegurar que as Forças Armadas não apoiariam nenhuma medida excepcional.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 03/09/2025
  • Fonte: Fever