Adriano Dias Campos, ex-secretário de Ribeirão é alvo de operação contra o PCC

Adriano Dias Campos, ex-gestor na região do ABC, foi afastado em Ferraz de Vasconcelos por suspeita de corrupção e elo com facção criminosa

Crédito: Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos

Uma operação de grande escala deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quarta-feira (28) trouxe à tona nomes conhecidos da política regional. Entre os principais alvos da investigação, que apura a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) na administração pública, está Adriano Dias Campos, figura que ocupou cargos estratégicos em prefeituras da Grande São Paulo, com destaque para sua passagem por Ribeirão Pires.

Adriano Dias Campos, que atuou como Secretário de Administração e Modernização de Ribeirão Pires durante a gestão de Adler Kiko Teixeira (à época PSB), foi afastado de suas funções atuais na Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos por determinação judicial. A operação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), investiga um esquema complexo de lavagem de dinheiro, fraudes em licitações e pagamento de propinas que podem ter sangrado os cofres públicos em milhões de reais.

O “Balcão de negócios” em Ferraz

Ferraz de Vasconcelos | Adriano Dias Campos
Vista panorâmica de Ferraz de Vasconcelos (imagem de Jonathan Andrade, Secom)

De acordo com as investigações do MPSP, Adriano Dias Campos e outros agentes públicos operavam o que os promotores classificaram como um balcão de negócios.

Além do ex-secretário de Ribeirão Pires, a Justiça determinou o afastamento de figuras centrais do primeiro escalão de Ferraz de Vasconcelos, incluindo o vice-prefeito Daniel Balke e o vereador Ewerton de Lissa Souza (Podemos).

O esquema também envolveu a cúpula do governo local, resultando na queda dos secretários Pedro Paulo Teixeira Júnior (Fazenda) e Moacyr Alves de Souza, coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente. O grupo é suspeito de manipular licitações de serviços essenciais, como limpeza urbana e vigilância, para favorecer empresas ligadas ao PCC.

O papel de Adriano na engenharia do esquema

O detalhamento das investigações aponta Adriano como peça-chave na engenharia administrativa do grupo criminoso. Ele é suspeito de ter manipulado processos internos para viabilizar a assinatura de Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) fraudulentos e editais direcionados.

Um dos casos mais graves destacados pelo Gaeco envolve a tentativa de cancelar uma dívida ambiental de aproximadamente R$ 24 milhões de uma empresa que estaria sob o controle da facção. O MPSP sustenta que Adriano utilizava seu profundo conhecimento técnico em gestão pública para conferir aparência de legalidade a atos que, na prática, serviam para escoar dinheiro público para o crime organizado e blindar empresas parceiras de sanções financeiras e jurídicas.

Durante o cumprimento dos 22 mandados de busca e apreensão, os agentes encontraram cerca de R$ 105 mil em espécie na residência de um dos investigados. O Gaeco aponta que o grupo utilizava a emissão de notas fiscais frias e transferências bancárias fracionadas para ocultar a origem ilícita dos recursos. “Evidente que a corrupção de contrato público, com valor substancial submetido aos interesses e mandos do Primeiro Comando da Capital, é das mais graves rupturas dos valores democráticos“, descreveu a denúncia do Ministério Público.

Histórico de controvérsias em outras cidades

A trajetória de Adriano Dias Campos é marcada por passagens em diversas prefeituras, muitas delas acompanhadas por questionamentos judiciais e órgãos de controle. O nome do ex-secretário de Ribeirão Pires já figurou em outras denúncias recentes e antigas que reforçam o perfil de nômade político com histórico de problemas administrativos.

Em Campos do Jordão, por exemplo, Adriano foi réu em uma ação civil pública por improbidade administrativa. À época, ele era chefe de Negócios Jurídicos e foi acusado pelo Ministério Público de avalizar pagamentos irregulares à empresa Vale Tudo Reciclagem, ligada a um vereador local, sem a realização de qualquer processo licitatório ou contrato formal. O prejuízo estimado aos cofres daquela cidade ultrapassou a marca de R$ 400 mil. A caso aconteceu em 2009

Mais recentemente, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) também apontou irregularidades em processos conduzidos por Adriano em Santana de Parnaíba. Ele atuou como ordenador de pregão em contratos de prestação de serviços de exames médicos laboratoriais que foram julgados irregulares pela Corte de Contas, devido a falhas graves no edital e no direcionamento da concorrência.

Repercussão no ABC Paulista

A notícia da operação contra o ex-secretário causou forte impacto nos bastidores políticos de Ribeirão Pires. Adriano Dias Campos teve um papel central na modernização administrativa da cidade no ABC, sendo o responsável direto por gerir processos de compras e licitações em uma das pastas mais influentes do Paço Municipal.

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Vista panorâmica de Ribeirão Pires (imagem: Felipe Cruz/PMETRP)

Embora o foco da operação atual, batizada por alguns veículos como “Operação TAC“, recaia sobre contratos firmados em Ferraz de Vasconcelos — especialmente um esquema para eliminar uma dívida ambiental de R$ 24 milhões de forma fraudulenta —, a gravidade das acusações de ligação com o PCC acende um alerta sobre as gestões passadas por onde o ex-secretário transitou. No ABC, a preocupação de analistas e opositores é se o modus operandi de favorecimento de empresas agora investigado pelo Gaeco teria deixado raízes em contratos de longo prazo na região.

Situação Jurídica de Adriano Dias Campos

Além do afastamento imediato do cargo público, a Justiça determinou o bloqueio de bens dos envolvidos e a proibição de que Adriano e os demais servidores afastados frequentem os prédios da Prefeitura e da Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos. O Ministério Público agora analisa os documentos, celulares e computadores apreendidos nesta quarta-feira para identificar novos desdobramentos e se há conexões com outras prefeituras da Grande São Paulo e do ABC.

Até o momento, a defesa de Adriano Dias Campos não se pronunciou publicamente sobre o afastamento ou sobre as acusações de envolvimento com a organização criminosa. A Prefeitura de Ribeirão Pires foi questionada se haveria algum conhecimento de irregularidades cometidas por esse servidor à época em que atuava como secretário de Administração e Modernização do município e se alguma vez a Prefeitura foi acionada por órgãos de fiscalização ou investigação sobre atividades suspeitas de Adriano Dias Campos. Até a publicação dessa matéria, o ABCdoABC não retorno.

Esta é uma investigação em curso, e novos detalhes sobre como o PCC utilizava agentes públicos para lavar dinheiro no setor de serviços podem surgir nos próximos dias.

Leia mais: Investigação aponta que PCC lucra bilhões com empresas e contratos

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 29/01/2026
  • Fonte: Pocah