Mil adolescentes morrem por suicídio no Brasil anualmente
A saúde mental dos jovens é alarmante, com 137 atendimentos diários
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um recente estudo da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) revela dados alarmantes sobre a saúde mental dos adolescentes no Brasil, apontando que aproximadamente mil jovens perdem a vida anualmente em decorrência de suicídio.
De acordo com a pesquisa, realizada com informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, um adolescente é atendido a cada dez minutos por tentativas de autolesão ou suicídio. Este cenário tem gerado preocupações crescentes entre especialistas em saúde mental.
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A análise, divulgada nesta segunda-feira (22), mostra que nos últimos dois anos a média diária de atendimentos a jovens entre 10 e 19 anos chegou a 137 casos. Contudo, apesar dos números já serem significativos, os profissionais da área alertam para uma possível subnotificação, dado que muitos incidentes podem não ser registrados adequadamente.
Além das tentativas de autolesão, o levantamento aponta que cerca de mil adolescentes morrem anualmente por suicídio no Brasil. Renata Waksman, presidente do Departamento Científico de Prevenção e Enfrentamento das Causas Externas na Infância e Adolescência da SBP, enfatiza que o suicídio frequentemente resulta de um processo contínuo de sofrimento psíquico. “Estar atento a mudanças bruscas no comportamento dos jovens é crucial, pois frequentemente esses sinais representam alertas claros”, comenta Waksman.
Os dados também revelam disparidades regionais nos atendimentos relacionados à saúde mental entre adolescentes. O Sudeste destaca-se com quase metade das notificações nacionais entre 2023 e 2024, totalizando 46.918 atendimentos. Em seguida, o Sul contabiliza 19.653 registros, enquanto o Nordeste soma 19.022 casos.
Os especialistas identificam alguns sinais de alerta que podem indicar um risco elevado de tentativas de suicídio entre os jovens. Os principais indícios incluem:
- Tristeza ou insatisfação persistentes
- Desinteresse por atividades anteriormente prazerosas
- Episódios de autolesão
- Envolvimento intencional em situações arriscadas
- Falta de perspectivas ou planos futuros
A adolescência é um período repleto de mudanças significativas, onde os jovens buscam sua identidade e se tornam mais suscetíveis a pressões externas e vulnerabilidades emocionais. Nesse contexto, tem sido observado um aumento nos casos de ansiedade e depressão entre as crianças.
Waksman observa que a necessidade de aceitação social é intensa nessa fase da vida, tornando-os mais vulneráveis a problemas psicológicos. Ela ressalta que muitos transtornos começam antes dos 14 anos e podem passar despercebidos, não recebendo o tratamento adequado.
A saúde mental dos adolescentes é influenciada por diversos fatores, como sobrecarga familiar, falta de acompanhamento médico regular e os riscos associados ao ambiente digital. Edson Liberal, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, destaca que impulsividade e dificuldades emocionais típicas da adolescência são os principais fatores de risco para episódios suicidas. “Frequentemente, as autoagressões são um pedido silencioso por ajuda. É fundamental que pais, responsáveis e educadores estejam dispostos a ouvir e acolher os adolescentes diante dos desafios cotidianos”, conclui Liberal.