Acordo Mercosul-EFTA abre mercados para exportações brasileiras
Acordo Mercosul-EFTA abre oportunidades para exportações brasileiras em quatro países europeus e prevê redução de tarifas para produtos nacionais também
- Publicado: 17/10/2026 18:54
- Alterado: 17/10/2026 18:54
- Autor: Carlos Enriki
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) abre novas oportunidades para empresas brasileiras ampliarem suas exportações para Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. Juntos, os quatro países reúnem cerca de 15 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 1,4 trilhão.
Segundo a São Paulo Chamber of Commerce, área de internacionalização da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o tratado pode contribuir para diversificar os destinos das exportações nacionais e ampliar a presença de produtos brasileiros de maior valor agregado nesses mercados.
“É mais um importante avanço para a inserção internacional das empresas brasileiras e para a diversificação dos mercados de destino das exportações nacionais”, afirma Maurício Manfré, assessor especial da SP Chamber of Commerce.
Implementação ocorre de forma gradual
A entrada em vigor das preferências comerciais está sendo realizada bilateralmente. Para a Islândia, as condições previstas no acordo passaram a valer para o Brasil em 1º de outubro de 2026. Na Noruega, a previsão é de início em 1º de novembro.
A aplicação do tratado para Suíça e Liechtenstein ainda depende da conclusão dos respectivos procedimentos de internalização.
Produtos brasileiros podem ganhar competitividade
Pelas regras negociadas, os países da EFTA eliminarão imediatamente as tarifas de importação para os produtos industriais e pesqueiros abrangidos pelo acordo. No setor agropecuário, estão previstas reduções ou eliminações tarifárias, além de quotas preferenciais.
Entre os produtos brasileiros com perspectivas de ampliar a presença no mercado europeu estão café torrado, carnes bovina, suína e de aves, milho, farelo de soja, mel, arroz, frutas, sucos e álcool etílico. Produtos industriais de maior valor agregado também estão entre os segmentos com potencial de expansão.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e EFTA alcançou US$ 7,81 bilhões. Suíça e Noruega concentraram 94% das exportações brasileiras destinadas ao bloco, segundo os dados apresentados pela SP Chamber of Commerce.
Empresas precisam preparar estratégias de exportação
A redução das tarifas representa uma etapa inicial para ampliar o comércio, mas o aproveitamento das oportunidades dependerá da preparação das empresas brasileiras. Entre os desafios estão identificar compradores, conhecer as exigências dos mercados locais, adequar produtos e estruturar estratégias de entrada.

Para Maurício Manfré, o acordo também pode contribuir para incorporar novas empresas ao comércio internacional e diversificar a pauta exportadora brasileira.
“Mais do que ampliar o comércio existente, o objetivo deve ser utilizar o Acordo Mercosul–EFTA para incorporar novas empresas ao comércio internacional, diversificar a pauta exportadora brasileira e aumentar a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações nacionais”, destaca.
Sobre a São Paulo Chamber of Commerce
A São Paulo Chamber of Commerce (SP Chamber) é a área de internacionalização da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). A instituição apoia empresas brasileiras interessadas em atuar no mercado internacional por meio de inteligência de mercado, orientação estratégica para exportação e importação, promoção de negócios e aproximação com mercados considerados estratégicos.