Ações da Braskem caem 14% com incerteza global e riscos locais
Entenda o que está por trás da queda nos papéis da maior petroquímica das Américas e quais são os caminhos que podem levar a uma virada de jogo para a empresa e seus investidores.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 27/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Se você acompanha o noticiário econômico, mesmo que de longe, deve ter notado as ações da Braskem (negociadas na bolsa com o código BRKM5) estampando manchetes. Na maioria das vezes, a notícia envolve queda em seu valor. Só nesta última semana, os papéis voltaram a sofrer, deixando muitos se perguntando: o que acontece com uma das maiores empresas do Brasil?
A resposta é uma combinação de problemas “dentro de casa” com uma verdadeira tempestade na economia mundial. Para entender essa história, precisamos voltar um pouco no tempo.
Uma Linha do Tempo da Ação em 2025: Uma Montanha-Russa
Imagine a ação da Braskem como um barco navegando por águas turbulentas. A trajetória deste ano tem sido cheia de altos e baixos:
- Início do Ano (Janeiro-Março): O barco começou a navegar com um certo otimismo. O mercado estava animado com a possibilidade de a empresa finalmente ser vendida para um grande grupo internacional. A ideia era que um “novo capitão”, com muito dinheiro para investir, assumiria o comando, resolvendo problemas antigos. As ações chegaram a subir com essas expectativas.
- Meio do Ano (Abril-Agosto): A empolgação começou a diminuir. As negociações para a venda se mostraram mais complicadas do que o esperado, e o otimismo deu lugar à frustração. Ao mesmo tempo, notícias da China e da Europa mostravam que a economia mundial estava esfriando. Para a Braskem, isso é um sinal de alerta. Se as fábricas no mundo produzem menos, elas compram menos plástico, que é o principal produto da empresa. Com isso, as ações começaram a perder força.
- Esta Semana (Final de Setembro): A “tempestade” ficou mais forte. Novos dados confirmaram a desaceleração global. Para piorar, o preço do petróleo, principal matéria-prima da Braskem, subiu. Isso aperta a margem de lucro da companhia, que é basicamente a diferença entre o custo para produzir o plástico e o preço pelo qual ela consegue vendê-lo. Com a perspectiva de vender menos e ter um lucro menor, muitos investidores decidiram vender suas ações, derrubando o preço.
Os Três Grandes Desafios da Braskem
Para simplificar, podemos resumir os problemas que afetam a empresa em três grandes questões:
- A Novela da Venda: A Braskem tem como uma de suas donas a Novonor (antiga Odebrecht), que está endividada e precisa vender sua parte na empresa. O problema é que essa venda se arrasta há anos. Essa indefinição deixa a empresa em um limbo, sem um plano claro de longo prazo, o que afasta grandes investidores.
- A Sombra de Maceió: A empresa ainda lida com as consequências do afundamento do solo em bairros de Maceió (AL), causado pela mineração de sal-gema anos atrás. A Braskem já gastou e reservou bilhões de reais para indenizações e reparos, mas o mercado teme que essa conta possa aumentar, representando um risco financeiro constante.
- O Ciclo de Baixa Global: A indústria petroquímica funciona em ciclos, como as estações do ano. Agora, vivemos um “inverno” global, com baixa demanda e margens de lucro apertadas para todo o setor. A Braskem, mesmo sendo uma gigante eficiente, não está imune a esse cenário mundial.
A Luz no Fim do Túnel
Apesar de todos os desafios, há motivos sólidos para acreditar em um futuro brilhante para a Braskem. A situação atual, embora difícil, pode ser o prelúdio de uma grande virada.
O principal fator de otimismo é justamente a resolução da venda. No momento em que um novo controlador for definido — seja ele um grande fundo de investimentos ou outra gigante do setor —, a principal trava que hoje segura o valor da empresa será destravada. Um novo dono trará capital novo, uma estratégia de crescimento definida e, o mais importante, previsibilidade. Isso tem o potencial de não apenas fazer as ações subirem, mas de iniciar um novo ciclo de modernização e expansão para a companhia.
Além disso, a natureza cíclical do setor que hoje a prejudica, amanhã irá beneficiá-la. O “inverno” da petroquímica não dura para sempre. A história mostra que, após períodos de baixa, sempre vêm as “primaveras” de alta demanda e lucros robustos. Como líder de mercado nas Américas e dona de fábricas modernas e eficientes, a Braskem está na posição perfeita para aproveitar ao máximo essa virada de ciclo quando ela chegar.
Não podemos esquecer da força intrínseca da empresa. A Braskem é uma potência, com tecnologia de ponta e um papel fundamental na cadeia produtiva de inúmeros setores. Os produtos que ela fabrica estão em embalagens, carros, roupas e na construção civil.
Portanto, embora o preço da ação hoje reflita as incertezas e os desafios do presente, ele não captura o imenso potencial adormecido da companhia. Superados os obstáculos atuais, a Braskem tem tudo para emergir mais forte, reafirmando seu lugar como uma das joias da indústria brasileira e global