Acessibilidade é verbo, não substantivo

Mais de 18 milhões de brasileiros com deficiência ainda enfrentam barreiras; transformar acessibilidade em ação é o desafio coletivo

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum tipo de deficiência no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, são 18,6 milhões de cidadãos, quase uma em cada dez pessoas, que convivem diariamente com barreiras físicas, digitais, urbanas e atitudinais. E mesmo diante desses números, a inclusão e acessibilidade seguem mais como promessa do que como prática.

Durante muito tempo, o termo acessibilidade foi tratado como substantivo: algo que se instala, se mostra, se fotografa. Mas o verdadeiro avanço ocorre quando ela vira verbo, agir, adaptar, incluir. E esse verbo precisa ser conjugado não apenas pela sociedade civil, mas, sobretudo, pelo poder público e pelas empresas.

O papel do poder público: quando o direito não sai do papel

Acessibilidade - Inclusão - Cegos - PcDs
Imagem: Freepik

O Estado brasileiro tem um papel central nesse debate e falha de forma persistente. A Lei Brasileira de Inclusão (13.146/2015) estabelece parâmetros claros para o acesso à educação, ao transporte, à comunicação e ao mercado de trabalho.

Na prática, porém, as políticas públicas são fragmentadas, descontinuadas e, em muitos municípios, inexistentes, entre elas:

  • Rampas malfeitas
  • Escolas sem acessibilidade
  • Ausência de intérpretes de Libras em serviços essenciais
  • Transporte público precário

Essas defasagens revelam que a inclusão, no Brasil, ainda depende da boa vontade de quem governa, por isso, a acessibilidade não pode ser vista como custo, mas como investimento em dignidade, produtividade e cidadania. Quando o poder público ignora essa responsabilidade, ele não apenas descumpre a lei, ele perpetua desigualdades.

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A responsabilidade social das empresas: do discurso à coerência

No setor privado, a inclusão ainda é, muitas vezes, uma peça de marketing. Campanhas emocionantes e hashtags inspiradoras substituem políticas reais de contratação, acessibilidade arquitetônica e adaptação tecnológica.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, menos de 1% das empresas brasileiras cumprem integralmente a Lei de Cotas (8.213/91), que determina a contratação de pessoas com deficiência. E quando cumprem, é comum que o façam de forma simbólica, sem investir em qualificação ou permanência.

A verdadeira responsabilidade social empresarial não está em doações pontuais, mas em estruturas permanentes de inclusão, treinamento, respeito e oportunidade. Uma empresa acessível não é aquela que faz campanhas de diversidade, é aquela onde a diversidade faz parte da rotina.

Felizmente, há exceções que inspiram.

Organizações como o Adote um Cidadão, no ABC Paulista, há mais de 26 anos mostram que a inclusão é viável, eficiente e transformadora. Projetos como o Surf Eficiente, o Jipe Eficiente e o Voo Eficiente provaram que o acesso ao esporte e à vida social é um direito possível quando há vontade de agir, e não apenas de aparecer.

A Casa do Adote, um espaço de convivência multidisciplinar para pessoas com deficiência, nasce exatamente com esse propósito: praticar o que tantos apenas anunciam.

Casa do Adote - Acessibilidade
Divulgação

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A sociedade como espelho

Países que alcançaram altos níveis de desenvolvimento social, como Canadá, Noruega e Japão, compreenderam que acessibilidade é fundamento de cidadania, não pauta de minoria. Quando se cria uma cultura em que a inclusão é natural, todos ganham: a economia, a produtividade e, sobretudo, o senso coletivo de humanidade.

No Brasil, ainda tratamos o tema como algo “especial”. Mas a verdadeira sociedade inclusiva é aquela em que ninguém precisa pedir para participar.

Um chamado à coerência

“A acessibilidade não se instala, se pratica. E só é real quando começa dentro das pessoas.”
Dom Veiga, fundador do Adote um Cidadão

A frase de Dom Veiga resume o que falta ao país: coerência.

O poder público precisa cumprir sua função de garantir direitos, e o setor privado precisa entender que sua reputação depende tanto do que comunica quanto do que entrega. A inclusão não é favor — é dever.

E o Brasil só será realmente desenvolvido quando acessibilidade deixar de ser substantivo bonito em discurso e passar a ser o verbo mais praticado da sociedade.

Sobre o Adote um Cidadão

Há 26 anos, o Adote um Cidadão atua na linha de frente da transformação social, promovendo justiçaacessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência e populações em situação de vulnerabilidade. São mais de duas décadas multiplicando sorrisos e protagonismo por meio de iniciativas socioeducativasesportivas e culturais que geram impacto real na sociedade.

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  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 17/10/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping