51% dos brasileiros concordam com a ação dos EUA na Venezuela
Levantamento aponta que, apesar do apoio à intervenção estrangeira, 66% da população exige neutralidade do governo brasileiro na crise.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 19/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A recente ação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, divide opiniões e expõe o pragmatismo da população brasileira. Dados exclusivos da pesquisa Ipsos-Ipec, realizada entre 10 e 14 de janeiro, revelam que a maioria dos entrevistados apoia a investida norte-americana, embora mantenha ressalvas diplomáticas claras.
O estudo ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios. Os números indicam que 51% dos brasileiros concordam total ou parcialmente com a operação. Em contrapartida, 28% se posicionam contra, enquanto 15% preferiram não opinar e 6% se declararam neutros.
Apoio à ação militar dos EUA na Venezuela lidera na alta renda
A aprovação da medida não é homogênea. O recorte demográfico mostra que o suporte à intervenção é significativamente maior entre as classes mais abastadas e grupos religiosos específicos.
Concordam com a medida (total ou parcialmente):
- 62% dos brasileiros com renda familiar superior a 5 salários mínimos;
- 61% dos evangélicos;
- 60% dos jovens adultos (25 a 34 anos);
- 58% dos homens.
A polarização política de 2022 ainda ecoa nestes índices. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, a concordância com a ação militar dos EUA na Venezuela dispara para 73%. Já entre os que votaram em Lula, o apoio cai para 34%, com a discordância sendo mais acentuada na região Nordeste (35%).
Petróleo ou Democracia? A percepção das motivações
Embora aprovem a operação, os brasileiros demonstram ceticismo quanto às reais intenções da Casa Branca. Não há um consenso sobre o motor da intervenção, mas o interesse econômico lidera as percepções.
Para 26% dos entrevistados, o objetivo central foi o controle do petróleo e recursos naturais. A defesa da democracia e direitos humanos aparece logo atrás, com 22%, seguida pelo combate ao narcotráfico (18%).
“Os dados revelam uma dualidade na percepção dos brasileiros. Por um lado, há um apoio pragmático a uma ação de força contra um regime visto como autoritário. Por outro, há uma desconfiança histórica sobre as reais intenções de intervenções geopolíticas na América Latina.” — Marcia Cavallari, head da Ipsos-Ipec.
A tese do petróleo é mais forte entre os mais escolarizados (39%). Já a justificativa humanitária ganha força entre evangélicos (31%) e bolsonaristas (30%), grupos que tendem a legitimar a ação militar dos EUA na Venezuela com base em valores ideológicos.
Diplomaticamente, Brasil deve permanecer neutro
Apesar de validarem a operação estrangeira, os brasileiros rejeitam o envolvimento direto do seu próprio país. A pesquisa identificou um recado contundente para o Itamaraty: 66% defendem a neutralidade do Brasil.
Apenas 17% acreditam que o governo brasileiro deveria apoiar ativamente a incursão militar, enquanto 9% acham que o país deveria se opor. Marcia Cavallari destaca que esse desejo por “não envolvimento” supera as divisões ideológicas, criando um consenso raro no cenário atual.
O medo de uma intervenção em solo nacional
O levantamento também mensurou se a ação militar dos EUA na Venezuela gerou insegurança interna. A maioria (57%) afirma não ter medo de que uma operação similar ocorra no Brasil.
Contudo, o receio existe para uma parcela relevante da sociedade. Cerca de 37% manifestam preocupação, sendo que 14% dizem ter “muito medo”. Esse sentimento é mais latente entre:
- Mulheres (48%);
- Eleitores de Lula (48%);
- Pessoas com renda de até 1 salário mínimo (45%).
A percepção de risco real — classificando a chance de invasão como média ou grande — atinge 38% da população, sugerindo que a soberania nacional é um ponto de atenção para quatro em cada dez brasileiros.
O cenário desenhado pela pesquisa Ipsos-Ipec é complexo. O brasileiro demonstra aprovar a queda de um regime vizinho considerado hostil, mas impõe limites claros à participação nacional no conflito. Acima de ideologias, a cautela diplomática e o receio de instabilidade regional prevalecem na análise popular sobre a ação militar dos EUA na Venezuela.