Acadêmicos de Niterói rebaixada expõe risco eleitoral da avenida

Polarização no desfile gera desgaste político, rejeição popular e alerta sobre estratégia eleitoral no Carnaval

Crédito: (João Salles/Riotur)

Quem, por estratégia em uma disputa, decide humilhar o adversário corre o risco de cometer um erro grave — e de arcar com uma consequência previsível: a perda de foco e a reprovação popular.

Nada mais didático do que o destino solitário da Acadêmicos de Niterói, única rebaixada no carnaval carioca.

Acadêmicos de Niterói: polarização política na avenida

A escola vendeu sua alma à agenda política. Certamente produziu seu enredo a muitas mãos — parte delas, ao que tudo indica, oriundas da política partidária.

Erro fatal. O samba-enredo, que deveria nascer da alegria de contar uma história, foi contaminado pela polarização política e estruturado sob o combustível do ressentimento.

Não a vingança institucional da escola, mas a vingança de quem paga — e o ditado é claro: quem paga manda. E, nesse caso, dinheiro público federal pagou e mandou mal, em uma estratégia eleitoral desastrosa.

Rejeição popular e desgaste eleitoral

A apuração transformou-se em uma máquina de moer reputações, com notas humilhantes em quase todos os quesitos, mostrando a desconexão da escola de samba com o seu propósito.

Ao narrar a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o resultado foi o desconforto de parte do público ao testemunhar a humilhação pública do ex-presidente Jair Bolsonaro, além da reprovação de segmentos religiosos e de famílias tradicionais que se sentiram caricaturadas e reduzidas a estereótipos.

Bolsonaro - Lula - Polarização Política - Acadêmicos de Niterói
(Reprodução/Redes Sociais)

Ideias desastrosas, pensadas com o fígado, costumam produzir efeitos colaterais duradouros. O episódio tende a se tornar um dos fantasmas a assombrar a campanha de Lula nas próximas eleições.

Não sei qual será a decisão do presidente, mas, se eu fosse Lula, Sidônio Palmeira estaria fora da equipe.

Quanto à Acadêmicos de Niterói, a mancha de que não possui envergadura para figurar entre as grandes escolas pode perdurar e causar danos institucionais. A escola não merece a diretoria que tem.

Márcio Prado

Márcio Prado - Peninha - Ribeirão Pires
Peninha (Divulgação)

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/02/2026
  • Fonte: Fever