A visão de quem pode
Artigo de Daniel Massafera que reflete a situação do deficiente físico (como o mesmo prefere ser chamado). Neste primeiro bloco o histórico do jovem sonhar de Diadema.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/07/2014
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
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DEFICIENTE?! UMA NOVA FORMA DE VIVER
“A morte chegou tão perto que levou um braço, uma perna e inicialmente a vontade viver” conta Daniel Massafera, 27, educador de cabeleireiro que em setembro de 2012 sofreu um acidente de trânsito e hoje utiliza sua experiência para ensinar sobre o respeito com o portador de deficiência física.
Ao descrever angústias e felicidades destes últimos dois anos, Daniel volta ao dia do acidente “Meu celular tocou: Vamos para cachoeira?”. O objetivo era se divertir, mas segundo Daniel Xavier que acompanhava o jovem, por problemas na rodovia dos Imigrantes a moto parou e Massaferra que estava como passageiro voou de encontro à mureta.
“Falaram para minha mãe que eu tinha três horas de vida e que sairia do hospital direto para o cemitério” explica Daniel, acrescentando que na troca de turno outro médico assumiu o caso, mudando seu futuro: “O doutor conseguiu uma vaga no hospital das Clínicas, carregou a maca e me acompanhou até a chegada para cirurgia”.
“A primeira operação foi na região do pescoço. Amputaram a mão, depois cotovelo, peguei uma bactéria e amputaram até próximo ao ombro. Nos pés a mesma coisa: primeiro pé, depois canela e joelho” conta Daniel apontando as marcas “Também tinha o risco de perder a outra perna, mas fizeram um enxerto”.
Ao acordar do coma depois de dois meses Daniel não acreditava que estava deficiente e todos no hospital falavam do caso como um milagre. Um dos destaques dado pelos médicos foi a grande mobilização de doação de sangue ao hospital por conta de sua situação. Em uma campanha na internet o caso de Daniel reuniu mais de 400 envolvidos em uma única publicação.
Os primeiros passos para a nova vida foram às atividades de reabilitação e a busca pelo equilíbrio emocional “Eu me perguntava por que tinha acontecido aquilo. Não tinha feito nada de errado. Chorava demais, pensava que era uma pessoa ruim”.
Daniel explicou que ao ouvir as melodias de Laurin Hill junto ao livro “Uma Vida Sem Limites” de Nicholas Vujicic, em uma tarde os pensamentos tomaram novas formas “Não posso ficar nessa cadeira sem fazer nada”. Foram diversas etapas: cuidados com as plaquetas, dores, fisioterapia, terapia ocupacional, reabilitação e agora as últimas ações para a utilização da prótese.
Para vencer essas dificuldades, ele conta que buscou informações na internet e percebeu que quase não se existia material. Tentou conversar com quem já tinha vivido uma situação parecida, mas não teve respostas, pois as pessoas acabavam tendo dificuldade para reviver a dor.
Assim, fez desta situação uma nova meta, além das atividades ligadas à reabilitação, hoje ele divide as experiências da nova fase de aprendizado por meio das redes sociais com a página ‘Eu Posso’, que se define “Um espaço para Pensar, publicar, compartilhar cada avanço da reabilitação e as novidades de uma vida sem limites”, também planeja organizar encontros para troca de experiência entre deficientes residente do Grande ABC Paulista.
Saiba Mais: https://www.facebook.com/eupossoo