A vacinação é um compromisso para toda a vida
Especialistas alertam para a queda na cobertura vacinal e reforçam que imunização em adultos e idosos é decisiva para prevenir doenças graves
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 15/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Em um momento em que doenças antes controladas voltam a preocupar autoridades de saúde no Brasil e no mundo, manter a vacinação em dia deixou de ser uma responsabilidade restrita à infância. Em janeiro de 2026, o debate sobre imunização ganha novo peso diante da queda na cobertura vacinal, do envelhecimento da população e da chegada de vacinas mais modernas, que ampliam a proteção ao longo de toda a vida.
A avaliação de infectologistas é clara: as chamadas lacunas de proteção em adultos e idosos já representam um risco concreto à saúde coletiva. “As vacinas são pilares da saúde pública e não podemos baixar a guarda”, afirma a Dra. Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ela, o esquecimento e a perda do histórico vacinal são hoje alguns dos principais fatores que deixam adultos vulneráveis a doenças evitáveis.
Infância: o alicerce da imunidade

A jornada da imunização começa ainda nas primeiras horas de vida. Vacinas como BCG e Hepatite B são aplicadas na maternidade e dão início à proteção contra doenças graves, como tuberculose, hepatites e infecções sistêmicas. Ao longo dos primeiros anos, o calendário infantil inclui imunizantes contra poliomielite, meningite, pneumonias e sarampo, formando uma base sólida de defesa imunológica.
O Dr. Ricardo Luiz Fonseca, coordenador pediátrico do Hospital Sírio-Libanês, lembra que o Programa Nacional de Imunizações é um dos mais completos do mundo, mas alerta para um ponto sensível. “Esquemas incompletos significam que o indivíduo não está protegido. Não basta iniciar, é preciso cumprir rigorosamente os prazos”, ressalta. A interrupção ou atraso nas doses compromete a eficácia coletiva e individual da vacinação.
Vida adulta: quando o risco mora no esquecimento
É na fase adulta que a negligência vacinal costuma se instalar. A rotina intensa, a falsa sensação de imunidade e a falta de informação fazem com que muitos adultos deixem de buscar reforços essenciais. Vacinas como a dupla adulta, que protege contra tétano e difteria, exigem atualização a cada dez anos, mas frequentemente são ignoradas.
Outro ponto crítico envolve a hepatite B. Quem tem mais de 40 anos, em geral, não recebeu essa vacina na infância e precisa completar o esquema de três doses pelo SUS. “Grande parte dos adultos não sabe que está desprotegida. Esse vazio vacinal pode ter consequências sérias, especialmente em doenças silenciosas como a hepatite”, explica a Dra. Mirian Dal Ben.
Terceira idade: proteção que vai além das infecções

Na terceira idade, a vacinação assume um papel ainda mais estratégico. Não se trata apenas de evitar uma gripe sazonal, mas de prevenir descompensações graves que podem levar à hospitalização, perda de autonomia e agravamento de doenças crônicas. Imunizantes contra pneumonia, influenza e herpes-zóster ajudam a reduzir infecções que afetam diretamente o sistema cardiovascular, respiratório e neurológico.
Estudos recentes também apontam uma associação relevante entre vacinação e saúde cognitiva. Manter as vacinas de influenza e herpes-zóster atualizadas pode estar relacionado a um menor risco de desenvolvimento de demência. “Evitar infecções graves significa proteger o cérebro, o coração e a funcionalidade do idoso como um todo”, explicam os especialistas.
Guia rápido: você está com a vacinação em dia?
| Fase da vida | Vacinas essenciais | Observação |
|---|---|---|
| Recém-nascido | BCG e Hepatite B | Aplicadas ainda na maternidade |
| Crianças | Polio, Tríplice Viral, Pentavalente | Cumprimento rigoroso do calendário |
| Adultos | Dupla adulta, Hepatite B | Reforço a cada 10 anos |
| Idosos | Influenza, Pneumocócica, VSR, Herpes-zóster | Prevenção de complicações e declínio funcional |
Quando a carteirinha some, a orientação é clara
Perder a carteirinha de vacinação é mais comum do que se imagina, especialmente entre adultos e idosos. Nesses casos, a recomendação médica é objetiva. “Se você não sabe quais vacinas tomou, vacine-se novamente. Não há risco em receber doses extras, mas há risco real em permanecer desprotegido”, orienta a infectologista.
A vacinação ao longo da vida é uma decisão coletiva. Em um cenário de envelhecimento populacional e reaparecimento de doenças evitáveis, manter a imunização em dia é um compromisso com a própria saúde e com a proteção de toda a sociedade.