Sob a toga e as entrelinhas: A Piscada de Luiz Fux
Em meio ao julgamento de Bolsonaro, ministro Luiz Fux sinaliza divergência técnica e abre espaço para leituras políticas além do STF
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Todo bom filme trash brasileiro tem aquela cena pós-créditos: o herói acha que venceu o “baixo astral”, mas quando a luz volta, lá está ele — o vilão, vivo, respirando e pronto pra bagunçar o roteiro. Luiz Fux reaparece, e não é pra salvar ninguém. É pra deixar registrado que não assina o script do colegiado. Não é vaidade; é blindagem. Em tempos em que cada voto do STF vira munição política, o julgamento de Bolsonaro já saiu do plenário e circula no mercado global de narrativas.
Moraes, com a caneta do roteiro na mão, seguia no tom de quem dita o desfecho. E Fux, elegante como quem serve um drinque com veneno, solta: “Isso foi na denúncia, não no julgamento.” Parece detalhe técnico, mas é código. Dissidência registrada, piscadela pra quem acompanha sinais. Ele sabe que o jogo não é só interno: Brasília é palco, mas a plateia está em Washington, Lisboa e, claro, no WhatsApp da sua tia bolsonarista.
Luiz Fux e o poder das entrelinhas

Os acenos estão lá, mesmo quando silenciosos. Luiz Fux, que já foi voto duro no mensalão e na Lava Jato, vem calibrando posição com sutileza. Recebeu uma condecoração de Bolsonaro e, tempos depois, foi publicamente elogiado por Michelle, que o chamou de “um facho de lux” no STF. Não é amizade de churrasco; é sinal. E Brasília lê sinais.
No plenário, o script oficial seguia: Dino corta, Moraes amassa, os autos marcham como se a história fosse reta. Mas Luiz Fux questiona tornozeleira, cutuca delação, cava nuances jurídicas como quem abre saídas de emergência. Não tenta virar o placar, mas pavimenta narrativa: “Critiquei, mas não assinei o pacote inteiro.”
Do outro lado, o bolsonarismo vibra. Não importa se a divergência é sobre competência da Turma ou nota de rodapé: o que vale é a imagem. Redes editam cortes, hashtags sobem, discursos invadem palanques: “processo político”, “perseguição”, “corte aparelhada”. Hugo Motta sorri no canto, afiando a faca da pauta da anistia. Uma piscada de Fux já basta pra reacender tochas e reorganizar calendários.

Enquanto isso, há um subtexto mais espesso rolando: o peso das sanções internacionais. Moraes carrega a mira no peito, Luiz Fux prefere sinalizar que joga em outro quadrante. Dissidência aqui é carta de seguro lá fora. Não se fala disso em público, mas todo mundo ali sabe.
E, quando os créditos sobem, lá está ele: meio sorriso, olhar enviesado, postura de quem sabe que não venceu hoje, mas também não perdeu. Porque, no fundo, a piscada de Luiz Fux não muda sentença nenhuma, mas altera a memória coletiva. O roteiro oficial segue igual, mas a narrativa ganhou versão paralela. Em Brasília, sobreviver é vencer. E enquanto houver cena pós-créditos, essa série não acaba nunca.