A Inglaterra de Thomas Tuchel finalmente começou a existir
Vitória sobre a Croácia reforça a ideia de que o técnico alemão pode ter encontrado o caminho para tornar os ingleses mais competitivos
- Publicado: 23/06/2026 12:31
- Alterado: 23/06/2026 12:32
- Autor: Vitor Bianco
- Fonte: ABCdoABC
Quando Thomas Tuchel foi anunciado como novo técnico da Inglaterra, em 2024, a reação inicial foi de entusiasmo. Afinal, poucos treinadores disponíveis no mercado possuíam um currículo tão respeitável. Campeão da Champions League pelo Chelsea, vencedor de títulos nacionais na França e na Alemanha e reconhecido por sua capacidade de construir equipes extremamente organizadas, o alemão chegava com a missão de resolver um problema que, há anos, acompanha os Três Leões: transformar uma seleção repleta de talento em uma equipe capaz de competir pelos maiores títulos.
A preparação para o Mundial e as polêmicas
Os resultados iniciais nos amistosos foram bons, mas o desempenho frequentemente deixava dúvidas. A Inglaterra vencia partidas, porém sem convencer. Para uma seleção que conta com alguns dos melhores jogadores do mundo, a impressão era de que o potencial apresentado estava abaixo do esperado.
As críticas aumentaram ainda mais quando Thomas Tuchel divulgou sua convocação para a Copa do Mundo. As ausências de nomes como Cole Palmer, Phil Foden e Trent Alexander-Arnold dominaram os debates na imprensa inglesa. Palmer chegava cercado por enorme expectativa após se consolidar como um dos principais nomes do futebol europeu, enquanto Foden continuava sendo visto como um dos jogadores mais talentosos da equipe. Já Alexander-Arnold oferecia características únicas, além da polivalência. A decisão de deixar os três fora do grupo foi interpretada por muitos como um risco desnecessário.
A Copa do Mundo 2026

Thomas Tuchel, entretanto, manteve seu discurso. Para ele, a prioridade não era reunir os jogadores mais populares do país, mas formar um grupo capaz de executar sua proposta de jogo. Ainda assim, antes mesmo do início do torneio, a sensação era de que o treinador chegava pressionado.
A estreia contra a Croácia, porém, mudou parte dessa narrativa. A vitória por 4 a 2 chamou atenção não apenas pelo placar, mas principalmente pela atuação. Pela primeira vez desde a chegada de Thomas Tuchel, foi possível enxergar com clareza características tradicionalmente associadas às equipes comandadas pelo alemão. A Inglaterra pressionou alto, aplicou o gegenpressing, atacou com intensidade e demonstrou organização coletiva.
Mais importante do que o resultado em si, a partida ofereceu respostas justamente para os questionamentos que cercavam o trabalho do treinador. A estreia contra a Croácia foi o primeiro momento em que a Inglaterra de Tuchel pareceu realmente uma equipe de Thomas Tuchel. A primeira vitória não significa que todas as dúvidas tenham desaparecido, mas é a primeira evidência de que o projeto possui fundamentos sólidos.
O jogo de hoje
O confronto contra Gana, às 17h, nesta Copa do Mundo, surge agora como uma oportunidade de confirmar essa evolução. Uma nova vitória, acompanhada de uma atuação convincente, pode consolidar a sensação de que a Inglaterra está começando a assimilar as ideias de seu treinador.
Durante anos, a seleção inglesa conviveu com a fama de possuir jogadores capazes de decidir partidas, mas não uma estrutura coletiva capaz de sustentar suas ambições nos momentos decisivos. É justamente essa lacuna que Thomas Tuchel tenta preencher. Sua missão nunca foi apenas vencer jogos, mas construir uma equipe reconhecível, organizada e competitiva contra qualquer adversário.
Ainda é cedo para saber até onde essa Inglaterra poderá chegar na Copa do Mundo. Porém, após meses de desconfianças e polêmicas, a estreia contra a Croácia ofereceu algo que talvez fosse ainda mais importante do que os três pontos: a esperança.