A importância da escolha correta da mochila escolar para a saúde das crianças

Saiba como ajustar o peso para garantir conforto e segurança para seu filho

Crédito: Marcelo Camargo - Agência Brasil

A seleção inadequada da mochila escolar ou o uso impróprio do equipamento podem acarretar sérios problemas de saúde. É fundamental utilizar uma calculadora de peso para determinar o limite máximo que a mochila do seu filho deve ter.

A chegada de um novo ano letivo traz consigo diversas decisões, desde a escolha entre caderno ou fichário até o tipo de caneta e, claro, a escolha da mochila ou mala de rodinhas. Essas escolhas, especialmente no que diz respeito ao transporte dos materiais escolares, exigem atenção cuidadosa, conforme enfatiza Francisco Carlos Salles Nogueira, membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Ignorar essas considerações pode resultar em danos significativos à saúde.

O primeiro aspecto a ser considerado é a mochila. Segundo o especialista, ela deve ser vista como um item essencial e não meramente como um acessório. Mochilas que possuem bolsas laterais, que acumulam o peso em um único lado, devem ser evitadas.

Uma escolha inadequada pode levar a uma série de problemas, incluindo:

  • Dores nas costas, ombros, quadris e joelhos;
  • Má postura;
  • Desvios na coluna vertebral, como escoliose;
  • Aumento da cifose, resultando em uma postura corcunda.

A mochila ideal deve ter um comprimento que vá do ombro da criança até cerca de 5 centímetros abaixo da linha da cintura. Isso significa que não pode ser excessivamente grande para a criança. Além disso, é crucial que a mochila seja ergonômica, respeitando as curvaturas naturais da coluna vertebral. O uso de alças largas e acolchoadas também é recomendado para minimizar desconfortos nos ombros.

Contudo, possuir um modelo apropriado não é suficiente para prevenir problemas posturais; o correto ajuste e utilização são igualmente importantes. As duas alças devem ser usadas simultaneamente nos ombros e ajustadas adequadamente.

Outro fator crítico é o peso dos materiais escolares transportados pelo aluno. É desaconselhável colocar todos os itens na mochila diariamente sem critério. A SBOT recomenda que o peso total não ultrapasse 10% do peso corporal da criança. Por exemplo, uma criança com 40 quilos não deve carregar mais do que 4 quilos na mochila.

A distribuição adequada desse peso também desempenha um papel significativo na prevenção de lesões. “Idealmente, a mochila deve ter divisórias para que os itens mais pesados, como livros e cadernos, fiquem próximos às costas”, sugere Nogueira.

No caso do fichário, este também pode representar riscos semelhantes às mochilas laterais. Normalmente mais volumoso e pesado do que um caderno tradicional, o fichário exige transporte nos braços se estiver na mochila, o que acrescenta peso extra e pode comprometer a postura do estudante.

Para minimizar o peso carregado, Salles Nogueira aconselha aos pais que incluam apenas os materiais essenciais nas mochilas. Se o peso exceder as recomendações, é preferível transportar os itens mais pesados com as mãos. “Embora isso não seja ideal, em situações esporádicas, ajuda a evitar uma pressão excessiva na coluna”, afirma o ortopedista.

A disponibilidade de armários nas escolas é uma alternativa eficaz para reduzir o peso das mochilas durante o transporte.

Sobre as mochilas com rodinhas, essas podem ser uma opção viável em comparação com as tradicionais; no entanto, exigem atenção quanto ao uso. Ao optar por esse modelo, recomenda-se escolher uma com puxador ajustável para acomodar o crescimento da criança ao longo do ano letivo.

Nogueira ressalta ainda que a altura do puxador deve ser ajustada corretamente: nem tão baixa a ponto de exigir que a criança se curve nem tão alta que impeça uma extensão adequada dos braços. Tais cuidados são fundamentais tanto para prevenir desconfortos imediatos quanto para evitar problemas permanentes na coluna no futuro.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 28/01/2025
  • Fonte: Fever