A geração dourada da Bélgica terminou sem conquistar o mundo?

Após anos entre as favoritas, seleção belga chega à Copa de 2026 sob pressão e vê o fim de uma era cada vez mais próximo

Crédito: (Divulgação/Fifa)

Quando a Bélgica derrotou o Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo de 2018 e terminou o torneio na terceira colocação, parecia apenas uma questão de tempo até que o país alcançasse algo ainda maior. A seleção reunia uma quantidade impressionante de talento em praticamente todos os setores do campo, possuía jogadores entre os melhores do mundo em suas posições e era frequentemente colocada entre as favoritas para conquistar os principais torneios internacionais.

Oito anos depois, porém, a realidade é bem diferente. Os empates contra Egito e Irã nas duas primeiras partidas da Copa do Mundo de 2026 colocaram os belgas novamente sob pressão e reforçaram uma sensação que vem acompanhando a seleção há algum tempo: a chamada “geração dourada” da Bélgica está terminando sem jamais ter correspondido às expectativas que criou.

O início da geração belga

Poucas seleções carregaram tanto potencial quanto a Bélgica da última década. Courtois era considerado um dos melhores goleiros do planeta, enquanto Kompany, Vertonghen e Alderweireld formavam uma defesa experiente. No meio-campo, De Bruyne e Witsel ofereciam qualidade e controle. No ataque, Hazard, Lukaku e Mertens garantiam criatividade e poder de decisão. Não por acaso, os belgas permaneceram durante anos entre os líderes do ranking da FIFA (https://inside.fifa.com/fifa-world-ranking/men?dateId=id13505) e eram tratados como candidatos naturais aos títulos de Copa do Mundo e Eurocopa.

O problema é que o auge daquela equipe produziu menos do que muitos imaginavam. A eliminação para a França, na semifinal da Copa de 2018, representou uma campanha louvável para os belgas, porém os Diabos Vermelhos encontraram adversidades no período pós-Copa. Dificuldades ao enfrentar adversários fortes e lesões foram fatores importantes, enquanto o trabalho do técnico Roberto Martínez era alvo de muitas críticas.

Como o potencial da Bélgica foi desperdiçado?

Na Eurocopa de 2021, os belgas caíram diante da Itália, campeã do torneio, nas quartas de final. Foi uma eliminação justa em partida equilibrada, mas o pior estava por vir. Na Copa do Mundo de 2022, a Bélgica viveu uma das maiores decepções de sua história recente a ser eliminada ainda na fase de grupos. A derrota para Marrocos e o empate contra a Croácia encerraram prematuramente uma campanha marcada por atuações abaixo do esperado e relatos de problemas internos no elenco.

A partir dali, tornou-se inevitável a renovação. Alguns dos principais nomes da Bélgica começaram a deixar a seleção, como o trio titular da defesa, enquanto outros perderam espaço ou já não conseguiam atuar no mesmo nível físico de anos anteriores, como Eden Hazard e Thorgan Hazard. Ao mesmo tempo, os novos talentos surgiram sem o mesmo impacto dos antecessores.

A Copa do Mundo de 2026

Bélgica e Irã - Copa do Mundo
(Divulgação/Fifa)

É justamente nesse contexto que a Copa do Mundo de 2026 ganha um significado especial. Mais do que uma disputa por classificação, o torneio representa o último capítulo de uma era para a Bélgica. Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku seguem como referências, mas já não carregam o mesmo protagonismo de anos atrás. Courtois continua sendo um jogador de elite, porém faz parte de um grupo que se aproxima naturalmente do encerramento de seu ciclo internacional.

Os empates diante de Egito e Irã são decepcionantes, mas não decretam a eliminação belga. A partida contra a Nova Zelândia ainda pode levar a equipe comandada por Rudi Garcia à próxima fase, mas a impressão que causa é a de que a seleção já não intimida como antes. O time que durante anos foi apontado como futuro campeão do mundo agora luta para provar que ainda pertence à elite.

Se 2018 marcou o ponto mais alto da história recente do futebol belga, 2026 pode simbolizar seu desfecho definitivo. E quando os últimos remanescentes dessa equipe deixarem a seleção, ficará o sentimento de que a geração mais talentosa já produzida pelo país não será lembrada pelos troféus que conquistou, mas pelos que parecia destinada a conquistar e nunca vieram.

  • Publicado: 22/06/2026 15:33
  • Alterado: 22/06/2026 15:33
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC