A família Moraes, os imóveis e as sanções: Brasília em sete atos

Entre mansões milionárias, a Lei Magnitsky e notas oficiais, a família Moraes virou crônica de escândalo, sátira e diplomacia à brasileira

Crédito: Bruno Peres/Agência Brasil

Abertura: O caso que invade a sala

Pode entrar, leitor, sem bater, que o espetáculo já começou: no palco do poder, milionários bailam com sanções e mansões. Em Brasília, onde a grama é mais verde e a conta bancária mais gorda, nem o Supremo escapa de virar personagem de crônica bem-humorada. O caso da família Moraes, alvo de um Trump justiceiro e um Brasil reticente, é pura prosa rimada de ironia fina e sarcasmo explícito.

Neste enredo, casas valem mais que promessas de campanha e apartamentos surgem como cogumelos em solo fértil de São Paulo. Os EUA, sempre prontos para uma performance de Justiça mundial, decidiram pôr os Moraes na roda, jogando sanções como quem distribui troféu em reality show. E Brasília, é claro, mal se contém de emoção – ou de constrangimento.

Mas não se engane: aqui ninguém chora no ombro do Judiciário. A novela mistura política, patrimônio e um punhado de acusações que, se fossem pó de arroz, dariam para cobrir metade do Lago Sul. Prepare-se para rimar com o escândalo – aqui, cada linha é uma piada pronta esperando para ser lida, cada bloco uma sátira ao bom senso perdido.

1º Ato: Os Imóveis e o Mercado do Descaramento

Se o Brasil é o país do futuro, a família Moraes já comprou o presente – e em parcelas bem generosas. Uma casa de R$ 12 milhões em Brasília faz as mansões da novela parecerem quitinetes de periferia. O pagamento, claro, veio em duas doses homeopáticas de seis milhões cada, porque aqui se paga o escândalo com elegância de planilha.

Antes do luxo, viviam no apartamento funcional, aquele benefício que faz inveja até a quem tem casa própria. Mas funcional ficou pequeno – o futuro pede espaço, e o futuro da Moraes é medido em metros quadrados. O STF, sempre discreto, decidiu que comentário não é moeda corrente; prefere a mudez estratégica do silêncio institucional.

Em São Paulo, três apartamentos fazem companhia à fortuna. Juntos, somam R$ 6,7 milhões (eita), adquiridos em datas diversas, como quem coleciona figurinhas raras. O primeiro entrou na carteira em 2007, o segundo pulou para  a empresa de Moraes, em 2014, e os outros dois vieram em 2021, porque tradição se mantém com compras periódicas e transferências entre amigos – ou familiares.

2º Ato: A Lex e Sua Saga Familiar

A Lex – Instituto de Estudos Jurídicos, nome pomposo que sugere erudição, mas entrega imóvel, nasceu em 2000, como se já soubesse que o milênio novo viria recheado de polêmicas. Fundada por quem entende de regras do jogo, logo passou ao controle de Viviane Barci de Moraes e filhos, porque família unida transfere patrimônio.

O apartamento, comprado na época do CNJ, foi gentilmente doado ao instituto Lex, que mais tarde tratou de ampliar o acervo. Nada como um instituto para guardar não apenas ideais jurídicos, mas sofás, cortinas e lareiras. Os imóveis pulam de mãos como quem joga biribinha em festa junina, e a cada transferência, uma nova escritura, um novo capítulo no folhetim familiar.

Em São Roque, quatro lotes completam a coleção. Os dois primeiros, adquiridos na fase do promotor visionário, custaram pouco – quase troco de pão, mas viraram patrimônio. Os outros dois terrenos vieram quando o cargo era de secretário de transportes, provando que, na terra da mobilidade, mudar de terreno é tão fácil quanto trocar de partido.

3º Ato: Sanções Americanas: A Lei Magnitsky e o Show de Justiça Internacional

O governo Trump, num salto acrobático de moralidade global, decidiu sancionar Viviane Barci e a Lex, colocando-os no rol dos vilões da semana. Dizem que é punição por graves violações de direitos humanos, mas aqui parece mais uma rodada de bingo diplomático: quem tem imóvel, ganha ponto extra; quem é parente, leva brinde.

A Lei Magnitsky, a estrela do espetáculo, serve para congelar ativos e proibir operações em dólar. Se o Moraes pensava em trocar reais por dólares, vai ter que se contentar com a moeda nacional – e, quem sabe, aprender a viver sem Mastercard nem Visa. O Tesouro dos EUA comparou o casal a duplas famosas do crime, porque nada como uma analogia para dar graça ao embargo.

O Departamento de Estado, sempre pronto para um comunicado enérgico, disse que proteger maus atores estrangeiros é motivo para castigo exemplar. O Brasil, claro, mordeu, mas não assoprou, classificando tudo como ingerência indevida. Aqui, sanção é sinônimo de diplomacia com tapa e beijo – e, às vezes, só tapa mesmo.

Alexandre de Moraes - STF - Julgamento de Bolsonaro
Rosinei Coutinho/STF

4º Ato: Reações Oficiais: O STF, o Itamaraty e a Arte do Desdém Calculado

No STF, a regra é simples: quanto maior o escândalo, menor o comentário. Bora de minimalismo, pois menos é mais (constrangimento sem maiores estragos). O ministro, dono do imóvel, preferiu se ausentar do debate, como quem esquece o celular no modo avião. Já o Supremo, com elegância burocrática, avisou que não vai divulgar nem lista de imóveis nem gastos detalhados – transparência é luxo para os outros.

O Itamaraty, sempre fiel ao roteiro, correu ora soltar nota em tom solene (outra), dizendo que ingerência estrangeira não será tolerada. A diplomacia, aqui, se resume a frases feitas e indignação de gabinete. O Brasil promete não se curvar, mas mantém a coluna ereta só até a próxima rodada de sanções – quem sabe, numa dessas, a postura muda com o câmbio.

Nas declarações públicas, a indignação se mistura ao sarcasmo. O Judiciário, ofendido, rotula de “ilegal” a ação americana, mas não explica o motivo. O público, entre risos e bocejos, acompanha o desenrolar como quem assiste novela repetida: sabe que o final é sempre parecido, só muda o vilão da semana.

5º Ato: O Universo dos Vistos: Revogações, Personagens e Consequências Surreais

Do outro lado do Atlântico, os EUA revogam vistos com a precisão de um relojoeiro. Ministros, assessores, juízes e familiares entram na lista dos indesejados, como se passaporte fosse convite para festa vip. José Levi viu o documento ser cancelado por não assinar ação contramedidas de combate à pandemia – já pensou, negar carimbo virou crime diplomático.

Até o general Paiva, comandante do Exército, entrou na mira, porque, segundo os bolsonaristas, não coibir o que eles chamam de abusos é pecado grave. Os EUA, claro, mantêm o mistério: só avisam da restrição quando o alvo tenta embarcar. Surpresa! Sua passagem foi para o limbo, não pra Nova York.

Padilha, ministro da Saúde, teve o visto vencido, e mesmo assim ficou na geladeira americana. Quando finalmente conseguiu permissão para reunião na ONU, a liberdade veio com GPS: cinco quarteirões e olhe lá. O sonho americano virou passeio controlado, mais restrito que visita a museu em dia de greve.

6º Ato: Bastidores Políticos: Brasil no picadeiro da moralidade

O timing das sanções é digno de roteirista: coincidem com a ida de Lula à ONU, como quem avisa que política externa se faz com recados cifrados. Enquanto isso, os bastidores fervem: cada movimento é analisado, cada revogação de visto vira teorias conspiratórias do zap da minhas tias. O Brasil, entre constrangido e resignado, finge que não viu o absurdo, mas comenta nos bastidores.

Bolsonaristas aproveitam o embalo e fazem lobby junto ao governo Trump, na esperança de que o inimigo do inimigo seja amigo. O STF, sempre alvo favorito, aparece como símbolo daquilo que deve ser combatido – ao menos nas manchetes sensacionalistas e nos grupos do “cidadão de bem”, do Telegram. O Exército, por sua vez, entra em cena como figurante, mas pode virar protagonista num piscar de olhos. No teatro das relações internacionais, cada ato tem plateia garantida. Os embargos, as sanções e as proibições de entrada fazem parte do roteiro, mas o público já conhece o script: indignação, nota oficial, e, no fim, tudo acaba em pizza – ou em imóvel novo, dependendo do personagem.

7º Ato: O Humor de Situação: Ironias, Comparações e Críticas Ácidas

O caso da família Moraes é tão recheado de ironias que até humorista profissional teria dificuldade de inventar algo melhor. Imóveis milionários, sanções internacionais e revogações de visto – tudo é exagero, nada é absurdo demais. No Brasil, até o escândalo tem pedigree, e a mansão é só acessório de luxo no figurino do poder.

As comparações internacionais são de fazer rir e chorar simultaneamente: enquanto os EUA jogam Moraes no rol de criminosos lendários como Bonnie e Clyde, por aqui, a analogia serve para disfarçar o constrangimento da cara de pau sem espelho. Por aqui, nosso Judiciário, sempre sério, parece personagem de comédia involuntária olhando constrangido sem dizer uma palavra. Assim, o Itamaraty, cheio de frases feitas, lembra professor de redação que só repete o tema repetitivo.

Se a política é circo, o escândalo de azul, branco e branco é o palhaço principal. As sanções, as notas oficiais e as reações indignadas compõem um espetáculo onde só falta a banda marcial. O Brasil, entre o humor ácido e o deboche coletivo, aprende que, no fim, tudo se resolve como uma pá de boas tiradas piada por este jornalista, ou mesmo vendo só quem pode, transferir o outro “ap” para o instituto da família.

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Uma Reflexão Ácida e o Laço Final

Por hoje é só em nossa ópera de Brasília, onde cada ato é uma nova versão do velho escândalo. A família Moraes, entre mansões e embargos, aprendeu que no Brasil o patrimônio é mais valioso que a reputação – e que o Judiciário, mesmo sancionado, nunca perde o rebolado. O palco internacional, por sua vez, segue distribuindo castigos como quem alterna aplausos e vaia.

Assim, entre notas cansadas (oficiais) e declarações indignadas, o país descobre que a política é espetáculo, e o escândalo é só roteiro. A Lex, instituto de estudos jurídicos e imobiliários, segue firme, enquanto os apartamentos mudam de dono e as sanções mudam de alvo. E você leitor, entre risos e suspiros, percebe que a sátira brasileira desgasta a gente – e aperta com o dedo tremendo no botão de pause para o próximo episódio.

Por fim, nossa leitura (que já começou cansada), termina com graça: de nosso this is Brazil, onde até o escândalo rima com deboche international e sotaque estrangeiro. Já no caso Moraes, segue embalado em ironia fina e mostra que, por aqui, tudo acaba bem – para quem pode pagar. E lá fora, o Tio Sam amante de gosto e caprichos juvenis, preferência por birra bem escolhida e troféu de conveniência. E quanto a nós, (e)ternos aprendizes da liberdade estadunidense, na mesma lição de sempre: rir tem tarifa em dólar e a graça da piada, pode ou não ficar retida dependendo da cotação na fronteira, até porque, nessa feira é a tal “diplomacia”, quem define o preço de um riso frouxo.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 24/09/2025
  • Fonte: Fever