90% dos brasileiros não sabem que diabetes afeta os rins
Pesquisa Datafolha aponta que 90% da população ignora relação entre a doença e problemas renais.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 15/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um levantamento recente conduzido pelo Datafolha, a pedido da Astrazeneca, expôs um cenário preocupante sobre a saúde pública no Brasil. Divulgado na última quinta-feira (11), o estudo aponta que apenas 10% dos brasileiros sabem que o controle inadequado do diabetes e da hipertensão pode resultar em complicações graves nos rins e no coração.
Embora o Ministério da Saúde classifique essas condições como os principais fatores de risco para doenças renais crônicas, a percepção pública ainda é limitada. A pesquisa, realizada entre 8 e 12 de setembro de 2025, ouviu 2.005 pessoas em 113 municípios de todas as regiões do país. Apesar de 99% dos entrevistados afirmarem conhecer o diabetes, a maioria desconhece a extensão dos danos que a patologia pode causar aos órgãos vitais.
Cegueira e amputação lideram as preocupações
Quando questionados sobre as complicações da doença, as respostas mais comuns foram amputações (27%) e perda da visão (23%). Luis Henrique Canani, endocrinologista e coordenador do departamento de doenças renais da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), explica que há uma conexão direta entre essas condições.
“A relação entre diabetes e doenças oculares é bastante comum, assim como a ocorrência de problemas visuais em pacientes com doenças renais”, esclarece Canani.
O especialista ressalta que, muitas vezes, os sintomas nos rins só aparecem em estágios avançados. Ele pontua ainda que, embora as amputações ocorram em fases mais tardias e sejam menos frequentes, elas geram um impacto devastador na qualidade de vida.
O impacto silencioso da doença renal crônica
A doença renal crônica causa a deterioração progressiva e irreversível da função dos rins, impedindo a filtragem correta do sangue e a eliminação de toxinas. O diabetes e a pressão alta atuam de forma silenciosa, danificando os vasos sanguíneos e os filtros renais ao longo do tempo.
Dados do Ministério da Saúde indicam que 6,7% da população adulta no Brasil convive com doenças renais crônicas, número que triplica entre idosos. Adicionalmente, o Vigitel 2023 aponta que 27,9% dos brasileiros sofrem de hipertensão, agravando o cenário.
Carlos Koga, nefrologista do Hospital Israelita Albert Einstein, traz dados do censo do IBGE de 2024:
“No censo realizado pelo IBGE em 2024, constatou-se que 29% dos pacientes em diálise apresentavam hipertensão e diabetes”.
A importância do diagnóstico precoce no SUS
A detecção precoce é fundamental e acessível. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue e análise de albumina na urina, capazes de identificar alterações renais em estágios iniciais. Koga faz um alerta severo sobre a demora na busca por ajuda médica:
“Se esperarmos pelos sintomas visíveis, já teremos perdido décadas no tratamento da doença”.
Os sinais tardios incluem espuma na urina, inchaço, pressão alta e náuseas. Contudo, o desconhecimento persiste: 31% dos entrevistados com diabetes ou hipertensão afirmaram nunca ter recebido orientações sobre prevenção de complicações, embora 61% tenham interesse em saber mais sobre saúde renal.
Sinais de alerta e novos tratamentos
André Pimentel, nefrologista da Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT), explica que a doença renal em diabéticos se manifesta principalmente pela perda de proteína na urina (albuminúria) e pela queda na taxa de filtração glomerular.
“A presença desses dois sinais é um indicador importante da evolução para a doença renal diabética”, observa Pimentel.
O médico critica o foco exclusivo na glicemia, negligenciando a função renal. “Se um paciente não faz exames regulares, ele nunca saberá se há comprometimento nos rins”, adverte.
A prevenção passa pelo controle de fatores modificáveis como obesidade, sedentarismo e tabagismo. Felizmente, o cenário terapêutico evoluiu. Pimentel destaca que, após décadas focadas apenas em dieta e controle glicêmico, hoje existem medicamentos que retardam a progressão da doença renal associada ao diabetes, protegendo simultaneamente o coração.