77% dos brasileiros acreditam haver desigualdade no Brasil, revela pesquisa
Estudo revela que 77% dos brasileiros veem desigualdade elevada. Fatores incluem falta de políticas públicas e má gestão. Educação é a chave para mudanças.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 09/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Sérgio Cardoso
Um estudo recentemente divulgado pelo Observatório Fundação Itaú revelou que 77% da população brasileira acredita que o país apresenta um elevado grau de desigualdade. Em contraste, apenas 2% dos entrevistados não identificam disparidades significativas na sociedade.
A pesquisa, que faz parte do projeto “Percepções sobre as desigualdades no Brasil”, identificou as principais causas apontadas pela população para a desigualdade. A falta de políticas públicas foi citada por 24% dos respondentes, enquanto 18% mencionaram a má gestão pública como um fator crucial. Outras razões relevantes incluem corrupção (12%), a falta de oportunidades de emprego e a desvalorização do trabalho (10%), discriminação (9%) e questões sociais como desunião e desonestidade (9%). Apenas 7% atribuíram o problema à distribuição desigual de renda.
LEIA MAIS: SP lança Acordo Paulista para dívidas de ICMS e IPVA
Os dados revelam que a percepção de desigualdade é mais acentuada entre determinados grupos demográficos. Mulheres, por exemplo, apresentaram uma taxa de 82% em relação à crença na desigualdade, assim como indivíduos das classes sociais C (78%) e D/E (77%). Aqueles com nível educacional inferior também mostraram alta concordância com essa visão, alcançando 79% entre pessoas com ensino fundamental. Grupos mais velhos, especialmente aqueles na faixa etária de 45 a 59 anos e acima de 60 anos, também demonstraram alta percepção de desigualdade, com índices de 81% e 80%, respectivamente.
A pesquisa foi realizada com apoio técnico da empresa de consultoria Plano CDE e do Datafolha. Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú, destacou que a sociedade tem consciência da desigualdade como um desafio significativo e enfatizou a importância da educação e do trabalho como caminhos para enfrentá-lo. No entanto, ele ressaltou que é essencial que exista uma “engrenagem coletiva” atuando em prol de resultados efetivos, envolvendo governos, empresas e cidadãos.
Saron afirmou: “Cada um tem um papel que não pode ser delegado. Os governos devem implementar políticas públicas intersetoriais e sistêmicas que permaneçam estáveis independentemente das mudanças administrativas”. Ele também sugeriu que as empresas expandam seu impacto além dos negócios ao investir em inclusão social, diversidade e inovação.
O levantamento analisa a origem das desigualdades sob três perspectivas: cultural, estrutural e histórica. Na dimensão cultural, 76% dos entrevistados concordaram que a impunidade em casos de corrupção perpetua as desigualdades. No aspecto estrutural, 70% acreditam que as leis favorecem os mais abastados, enquanto o funcionamento econômico prejudica muitos. Quanto à dimensão histórica, 47% afirmaram que as desigualdades raciais são consequência do passado colonial do Brasil.
Adicionalmente, a pesquisa indicou que uma maioria significativa dos brasileiros reconhece que brancos têm acesso privilegiado a oportunidades em comparação aos negros, especialmente no mercado de trabalho (68%), em instituições educacionais de qualidade (63%) e em áreas com melhor infraestrutura (60%). Também foi identificado que 55% acreditam que homens têm mais chances de ocupar empregos bem remunerados do que mulheres.
Em relação às soluções para a redução das disparidades sociais, 79% dos brasileiros defendem investimentos robustos na educação pública como forma primordial para mitigar a desigualdade econômica. Além disso, 59% concordam que a falta de investimento em educação perpetua o ciclo de pobreza entre gerações.
A pesquisa envolveu duas etapas: uma qualitativa realizada entre agosto e setembro de 2024 em cinco capitais brasileiras — Belém, Cuiabá, Recife, Curitiba e São Paulo — com 150 participantes selecionados conforme variações demográficas; e uma quantitativa em junho de 2025 com uma amostra nacional representativa de 2.787 entrevistados acima de 18 anos. A margem de erro da pesquisa é estimada em dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
Os dados também revelaram que seis em cada dez brasileiros iniciaram suas atividades profissionais antes dos 18 anos. Embora muitos afirmem que essa experiência precoce foi benéfica para suas carreiras (62%), uma proporção considerável (34%) acredita que isso comprometeu seus estudos, sendo essa percepção mais prevalente nas classes sociais D/E (51%) comparadas às classes A (13%).