70% dos alunos já usaram IA para tarefas escolares, diz estudo
Pesquisa TIC Educação revela que 70% dos alunos do ensino médio usam IA para trabalhos, mas apenas 32% receberam orientação nas escolas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Uma pesquisa recente do TIC Educação, realizada pelo Cetic.br, indica que uma significativa parcela de estudantes do ensino médio, aproximadamente 70%, utiliza ferramentas de inteligência artificial generativa para auxiliar na realização de trabalhos escolares. Contudo, apenas 32% desses alunos afirmaram ter recebido orientação sobre o uso dessas tecnologias nas instituições de ensino.
Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira, 16 de março, e revelam um cenário em rápida evolução no ambiente escolar, onde a falta de mediação pedagógica adequada levanta preocupações. As ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini estão se tornando comuns entre os alunos, mas a pesquisa destaca que esta é a primeira vez que um panorama detalhado sobre o uso desses recursos pelos estudantes é apresentado.
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A investigação aponta que o uso da inteligência artificial se inicia nos primeiros anos da vida escolar e se intensifica à medida que os alunos avançam em suas trajetórias educacionais. Dados indicam que 15% dos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano) utilizaram essas ferramentas para suas atividades acadêmicas nos três meses anteriores à pesquisa. Este número salta para 37% entre os estudantes dos anos finais (6º ao 9º ano).
O levantamento foi realizado com um total de 10.756 entrevistas em 1.023 escolas, abrangendo tanto instituições públicas quanto privadas em todo o Brasil. Foram ouvidos 954 gestores escolares, 864 coordenadores pedagógicos, 1.462 professores e 7.476 alunos.
Além disso, a pesquisa revelou que plataformas de vídeo como YouTube e TikTok são utilizadas quase com a mesma frequência que motores de busca tradicionais, como Google, para ajudar nas tarefas escolares. No total, 72% dos estudantes mencionaram o uso de buscadores para suas atividades acadêmicas, enquanto 74% utilizam canais de vídeo. Em contrapartida, apenas 43% dos alunos recorrem a sites como Wikipedia.
Daniela Costa, coordenadora da pesquisa, comenta: “Os dados revelam uma transformação acelerada no processo de ensino e aprendizagem, evidenciada pelo fato de que mais de dois terços dos alunos utilizam inteligência artificial e canais de vídeo para completar suas tarefas escolares. Entretanto, carecemos de uma mediação pedagógica eficaz para garantir o uso crítico dessas ferramentas”.
A análise também abordou a orientação recebida pelos alunos dos professores. Somente 32% dos alunos do ensino médio relataram ter sido instruídos sobre como empregar ferramentas de inteligência artificial generativa nas atividades escolares. Por outro lado, 65% afirmaram ter recebido orientações sobre quais sites deveriam ser consultados para realizar as tarefas propostas.
A coordenadora enfatiza que a pesquisa não consegue discernir se os jovens utilizam a IA como suporte nas atividades ou se dependem completamente delas para concluir as tarefas. “É importante ressaltar que adolescentes são criativos; portanto, necessitamos de maior supervisão e mediação no uso dessas tecnologias”, destaca Costa.
Costa também salienta que é crucial que educadores ofereçam orientações aos alunos sobre os riscos associados ao uso dessas ferramentas digitais, como a possibilidade de informações incorretas ou enviesadas e as chamadas “alucinações” geradas pela IA.
Na parte da pesquisa direcionada aos professores, constatou-se que pouco mais da metade (54%) participou de formações continuadas sobre tecnologias digitais nos processos educacionais nos últimos 12 meses. Desses educadores, 59% receberam capacitação voltada para o uso da IA em atividades escolares e 61% foram treinados na avaliação da veracidade das informações disponíveis na internet.
Por fim, Costa conclui: “Não estamos fazendo um juízo sobre se essas ferramentas são benéficas ou prejudiciais ao aprendizado. O fato é que as escolas e os educadores ainda não estão suficientemente preparados para lidar com elas adequadamente. Os alunos já estão usando essas tecnologias; por isso é fundamental garantir uma orientação adequada para evitar riscos que possam impactar negativamente na formação dessa nova geração“.