7 de Setembro: Cripta Imperial reabre após 4 anos
7 de Setembro: mausoléu com restos mortais de D. Pedro I volta a receber o público após obras de R$ 5,3 milhões
- Publicado: 07/09/2026 19:02
- Alterado: 07/09/2026 19:02
- Autor: Daniela Ferreira
O feriado da Independência do Brasil, nesta segunda-feira (7 de setembro), foi marcado pela reabertura da Cripta Imperial no Parque da Independência, no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo. Fechado há quatro anos para reformas estruturais, o mausoléu subterrâneo voltou a receber o público, atraindo longas filas de visitantes curiosos para conferir a revitalização do espaço que guarda os restos mortais do imperador dom Pedro I e de suas duas esposas, as imperatrizes Maria Leopoldina e Dona Amélia.
As obras de restauro e adequação receberam um investimento de R$ 5,3 milhões da Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura. O montante também contemplou a recuperação de itens do acervo do Museu da Cidade de São Paulo e reparos na histórica Casa do Grito.
A estrutura da cripta passou por uma modernização significativa, ganhando novos banheiros, sistema de ar-condicionado e recursos de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Do ponto de vista histórico, o teto foi finalizado com mármore amarelo e o bronze dos sarcófagos imperiais foi minuciosamente restaurado. Na área externa, o fechamento das escadarias com vidros de proteção foi elogiado pelos frequentadores como uma medida essencial para coibir o vandalismo e o uso indevido do espaço, problemas que afetavam o local antes do fechamento.
História e Traslados
Apesar de abrigar as três figuras centrais do Brasil Império, a Cripta Imperial não recebeu os restos mortais de uma só vez. A primeira a ocupar o local foi a imperatriz Maria Leopoldina, transferida do Rio de Janeiro em 1954, durante as celebrações do quarto centenário da cidade de São Paulo.
Os despojos de dom Pedro I chegaram apenas em 1972, no Sesquicentenário da Independência, após uma negociação com o governo de Portugal. O corpo cruzou o Atlântico de navio e peregrinou por capitais brasileiras antes de chegar ao Ipiranga —embora seu coração tenha permanecido na cidade do Porto, em Portugal.
Por fim, os restos mortais de Dona Amélia foram trazidos de Lisboa dez anos depois, em 1982, para repousar junto à família.
Exposição Inaugural e Visitação
A reabertura do espaço é acompanhada pela exposição “Representações da Nação: O Monumento à Independência e a Cripta Imperial”, com curadoria da historiadora Marly Rodrigues e texto de abertura assinado pelo arquiteto e biógrafo Paulo Rezzutti. A mostra utiliza painéis para detalhar a idealização e o papel cívico dessas estruturas na história do país.
A partir desta terça-feira (8), a Cripta Imperial retoma seu horário regular de funcionamento, consolidando-se novamente como um dos principais pontos de turismo histórico da capital paulista.