65,5% dos brasileiros não usam protetor solar diariamente
Especialistas alertam para riscos de câncer e envelhecimento precoce
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Uma recente pesquisa conduzida pelo Instituto de Cosmetologia de Campinas (SP) revelou que, em 2024, 65,5% dos brasileiros não aplicam filtro solar diariamente. Essa estatística é alarmante, considerando a importância do produto na proteção contra os efeitos nocivos da radiação solar.
Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico do Instituto, comentou sobre os resultados. Segundo ele, o índice de não utilização do protetor solar está acima do que seria ideal. O especialista adverte que a aplicação inadequada do produto pode ser tão prejudicial quanto a sua omissão total. “A utilização incorreta é mais arriscada do que não usar. A pessoa que não aplica o protetor sabe que está desprotegida e evita se expor ao sol. Por outro lado, quem acredita ter aplicado corretamente pode ter uma falsa sensação de segurança e acabar se expondo em excesso”, explicou Portilho.
A pesquisa qualitativa, que envolveu 1.057 participantes de todos os estados brasileiros, investigou práticas relacionadas à fotoproteção. O estudo é parte de um monitoramento que o instituto realiza desde 2015, abrangendo oito edições até o momento.
Entre as descobertas da pesquisa, destaca-se que 23,3% dos entrevistados admitiram não aplicar protetor solar em dias nublados ou chuvosos, enquanto 46,1% não reaplicam o produto ao longo do dia. Além disso, 36% desconhecem a quantidade correta necessária para obter a proteção indicada pelo rótulo.
Quando questionados sobre os motivos para não usarem o protetor solar, os entrevistados apresentaram diversas justificativas: 24,5% alegaram que a textura do produto era desconfortável; 21,1% consideraram o preço elevado; 12,5% não acreditavam na necessidade da aplicação; 9,1% citaram falta de tempo; e 2,3% relataram alergias. Outros motivos somaram 29,2% das respostas.
Portilho reconheceu que o custo dos filtros solares é um fator limitante para muitos brasileiros, especialmente para aqueles com menor poder aquisitivo. “O preço dos protetores impacta significativamente a população mais vulnerável economicamente, que possui outras prioridades. Contudo, existem opções mais acessíveis no mercado nacional que oferecem proteção adequada”, afirmou.
Os dados também mostraram que a saúde foi a principal motivação para o uso do protetor solar (53,3%), seguida pela prevenção ao câncer (36,9%) e indicações médicas (6,3%). Portilho ressaltou a relevância dessa preocupação diante da possibilidade de desenvolvimento de câncer de pele decorrente da falta de proteção solar.
A professora Ediléia Bagatin, associada ao Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), destacou que o uso do protetor solar vai além da simples prevenção contra queimaduras solares. Ele desempenha um papel crucial na luta contra o envelhecimento precoce e o câncer de pele. Bagatin esclareceu: “A exposição crônica à radiação solar gera manchas na pele e contribui para o envelhecimento progressivo até potencialmente resultar em câncer”.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pele não melanoma é o tipo mais comum no Brasil, representando aproximadamente 30% dos tumores malignos registrados no país. Estima-se que entre 2023 e 2025 surgirão cerca de 220 mil novos casos desse tipo de câncer no Brasil.
Além disso, Bagatin enfatizou que a radiação UVA está intimamente ligada ao envelhecimento da pele e deve ser considerada mesmo em ambientes fechados. “As pessoas tendem a subestimar essa necessidade em dias nublados ou quando estão em locais cobertos”, disse ela.
Sobre a quantidade adequada de protetor solar a ser aplicada, especialistas recomendam cerca de duas gramas para cada centímetro quadrado da pele exposta. No entanto, realizar esse cálculo pode ser complicado na prática diária. O ideal é aplicar uma camada generosa e uniforme em todas as áreas expostas ao sol.
A recomendação é reaplicar o produto a cada duas horas ou sempre após exposição intensa ao sol. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sugere essa frequência como ideal para garantir uma proteção eficaz.
Em suma, os especialistas concordam que o uso regular e correto do protetor solar é essencial não apenas para prevenir queimaduras solares mas também para minimizar riscos à saúde relacionados ao câncer de pele e ao envelhecimento precoce.