Polícia prende 6º suspeito por morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
Ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi assassinado há 30 dias, em Praia Grande, no litoral paulista. Investigações avançaram.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 15/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O inquérito sobre a execução do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, ocorrida há exatos 30 dias na cidade de Praia Grande, registrou um avanço significativo nesta quarta-feira (15). A Polícia Civil de São Paulo efetuou a prisão de Danilo Pereira Pena, conhecido pelo apelido de “Matemático”, tornando-o o sexto indivíduo detido por suspeita de envolvimento no audacioso crime.
A prisão de Matemático foi realizada por equipes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em uma hospedaria localizada no bairro do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, conforme informou a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
O Papel de “Matemático” na logística do assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
As investigações do DHPP apontam que Danilo Pereira Pena, o “Matemático”, teria desempenhado um papel crucial de coordenação logística no esquema criminoso. Sua função teria sido articular o transporte de Rafael Marcell Dias Simões, vulgo “Jaguar”, da cidade de São Vicente para a capital paulista. Para essa missão, ele teria utilizado os serviços de Luiz Henrique Santos Batista, apelidado de “Fofão”. Tanto “Jaguar” quanto “Fofão” já se encontram sob custódia temporária.
Com a detenção de “Matemático”, o número total de suspeitos presos pelo assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes sobe para seis. O balanço total da operação policial indica ainda que duas pessoas permanecem foragidas e uma terceira morreu em confronto com a polícia. A SSP reitera, em nota, que as investigações continuam em pleno andamento, buscando elucidar completamente o caso e identificar os mandantes.

O ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, de 64 anos, foi brutalmente assassinado a tiros de fuzil no dia 15 de setembro, em uma emboscada quando deixava seu local de trabalho em Praia Grande. O carro da vítima foi perseguido e colidiu com um ônibus na Avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, por volta das 18h20. Após a colisão, criminosos desceram de outro veículo e efetuaram diversos disparos à queima-roupa.
Linhas de Investigação: PCC e licitação de R$ 24,8 milhões

A execução de Ruy Ferraz Fontes, que foi delegado-geral da Polícia Civil e possuía uma longa e combativa trajetória contra o crime organizado, é cercada por duas principais linhas de investigação, que não se excluem.
A primeira e mais notória, devido ao histórico da vítima, é a possível relação com sua longa atuação de combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Apenas três semanas antes de ser morto, Fontes havia demonstrado preocupação com sua segurança, em entrevista, por residir sozinho na Baixada Santista, região de forte influência da facção. Apesar das apreensões, o ex-delegado afirmou que nunca havia recebido ameaças diretas.
A segunda linha investigativa, ligada ao seu cargo atual, mira as atividades recentes de Fontes como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande. Há uma forte suspeita de que o crime possa ter sido motivado por um processo licitatório de vulto. O contrato em questão, para a ampliação do sistema de videomonitoramento e Wi-Fi na cidade, envolvia a quantia expressiva de R$ 24,8 milhões.
Funcionários Públicos na Mira da Polícia
Em paralelo às prisões, a Polícia Civil também investiga possíveis envolvidos na prefeitura que poderiam ter relação com o homicídio. No último dia 29, cinco funcionários da administração municipal de Praia Grande foram alvo de investigações, com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão.
Um dos investigados é Sandro Rogerio Pardini, subsecretário de Gestão e Tecnologia. Pardini, que tinha um salário bruto de R$ 21.557,83, solicitou sua exoneração do cargo após as operações policiais. Sua defesa negou qualquer envolvimento com os fatos, mas confirmou que os bens apreendidos — celulares, armas e outros dispositivos eletrônicos — estão sob análise técnica da polícia.
A força-tarefa mobilizada para desvendar o assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes realizou diversas ações na Baixada Santista, incluindo coleta de depoimentos, perícias em propriedades e cumprimento de mandados. A complexidade do caso e as múltiplas frentes de apuração sinalizam que, mesmo com a sexta prisão, as autoridades ainda têm um caminho a percorrer até identificar os mandantes e as motivações definitivas para a morte de um dos mais importantes delegados da história de São Paulo.