52% das empresas de SP gastam para se proteger do crime
Levantamento da FecomercioSP revela que metade do setor comercial na capital gasta recursos próprios para mitigar riscos de violência.
- Publicado: 24/08/2026 09:54
- Alterado: 24/08/2026 09:54
- Autor: Thiago Antunes
A sensação de insegurança afeta diretamente o caixa das empresas paulistanas. Uma sondagem recente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) mostra que 52% das companhias do setor comercial na capital gastam parte das receitas para se proteger da violência.
O levantamento ouviu 500 negócios locais para entender o impacto da criminalidade na rotina dos empreendedores. O estudo indica que 25,6% dos comerciantes investem em câmeras e sistemas de monitoramento, enquanto 6,4% contratam serviços de vigilância. Outros 15,6% combinam diferentes estratégias de segurança para blindar suas operações.
Custos estruturais para empresas paulistanas
A pesquisa revela uma mudança profunda no comportamento dos consumidores. Os dados apontam que 12,6% dos lojistas notam uma redução no fluxo de clientes presenciais, motivada pelo medo de circular nas ruas em horários específicos ou em determinadas regiões da cidade.
Para adaptar o atendimento e evitar prejuízos, 12,8% dos negócios registraram aumento da preferência por compras online ou delivery. O empresariado relata que as empresas paulistanas acabam arcando com uma função constitucional do Estado ao tentar garantir um ambiente minimamente seguro para o consumo.
Um dado curioso do relatório mostra que 62% dos negócios afirmam não ter sofrido impacto direto de violência no último ano. A resposta defensiva do setor ocorre de forma preventiva. “A insegurança pública se tornou um custo estrutural, porque foi incorporada aos custos para além da experiência concreta”, avalia a FecomercioSP.
Tamanho do negócio define impacto da violência
O porte da operação comercial influencia a percepção e os danos causados pela criminalidade. As grandes companhias do varejo sentem mais a exposição à violência direta (16%) e no entorno das lojas (22%). O temor afeta até a gestão de recursos humanos do varejo.
Esse grupo enfrenta maior dificuldade para contratar e manter funcionários por questões de segurança (16%). A explicação da federação concentra-se no modelo de funcionamento dessas grandes redes. Elas operam em horários estendidos e turnos de 24 horas, ampliando a vulnerabilidade a assaltos, que representam 63% dos temores relatados pelas empresas paulistanas.
Na outra ponta, os pequenos comércios sofrem mais com a ausência de público. Cerca de 15,9% das micro e pequenas corporações relatam queda drástica de fluxo de consumidores, contra apenas 4% nas grandes redes. O segmento com menor capacidade de absorver perdas financeiras é o mais penalizado economicamente.
Demandas por policiamento e punição
O setor cobra respostas imediatas do poder público para reverter esse cenário de medo generalizado. Aproximadamente 32% dos empresários consideram a presença ostensiva da polícia como a medida pública mais fundamental. O combate ao crime organizado e à receptação de mercadorias atinge 18,2% das prioridades.
A entidade representativa atua no poder legislativo para endurecer as penas contra criminosos. A federação defende a aprovação de projetos de lei e propostas de emenda à constituição que limitem o avanço dos mercados ilegais, garantindo um fôlego financeiro e operacional para a sobrevivência das empresas paulistanas.